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São Paulo - Cerca de 3 mil pessoas de 18
países participaram durante uma semana de um encontro em São Paulo para
profissionais e apaixonados por internet, entretenimento eletrônico e
tecnologia. O Campus Party terminou neste domingo (17) após mais de 300
oficinas e 18 mil visitantes diários.
Segundo a assessoria do evento,
23% dessas pessoas freqüentaram a área de software livre, seguida pela de games
(16%), desenvolvimento (15,5%), música (11%) e criatividade (9%). "Os dados mostram que os participantes produziram mais conteúdo durante o evento do que baixaram. Na edição espanhola, essa proporção é inversa. A diferença é que aqui quem fez a programação foram as 10
comunidades que participaram do evento", destacou o diretor de conteúdo do Campus Party, Sergio Amadeu, sociólogo e professor da Faculdade Cásper Libero.
A estudante Maíra Lucchesi, de 18
anos, foi uma das participantes do evento. Prestes a começar seus estudos em
ciências da computação, a estudante saiu de Tietê, no
interior paulista, para acampar por três noites no interior do Campus Party
e acompanhar os avanços em tecnologia.
“Não se vive sem tecnologia hoje.
Tudo o que você vai fazer envolve tecnologia, desde ir ao supermercado até o
computador em sua casa”, disse Lucchesi, em entrevista à Agência Brasil.
Do evento, a estudante destacou
principalmente os avanços em software livre e a sua importância hoje. “Como é
um software aberto, todo mundo pode participar, incrementar e melhorar o
trabalho do outro. Isso é uma ajuda comunitária, sempre buscando o
aperfeiçoamento do software”, avalia.
“No privado, o código é fechado e
você tem que aceitar o que a pessoa programou. No livre, você desenvolve o
programa, fazendo o seu próprio código conforme a sua necessidade ou a do seu
cliente.”
Diego Amoroso de Araújo, que
trabalha no Telecentro de Cidade Tiradentes, na zona leste da capital, também
acampou no Campus Party e trabalhou na organização do evento. Para ele, é
importante que as pessoas tenham acesso à informática e às novas tecnologias.
“Hoje em dia, tudo o que você vai fazer mexe com informática. Muitas senhoras
lá explicam que não iam sacar dinheiro porque era muito difícil mexer na tela
do computador. Lá a gente ajuda o pessoal a mexer com isso. Damos dicas e
instrução porque eles vão precisar”, conta Araújo.
De acordo com o secretário de
Participação e Parceria do município de São Paulo, Ricardo Montoro, responsável
pelos trabalhos de inclusão digital na capital, existem hoje 238 telecentros espalhados
pelo município. A meta é atingir até 300 unidades.
“Telecentros são unidades, em
geral, de até 20 computadores, ligados a um servidor, e a utilização é
gratuita, com espaço de uma hora. Temos aqui em São Paulo cerca de 1,5 milhão
de pessoas cadastradas no programa, podendo chegar a dois milhões de pessoas”,
calcula Montoro.
“Eles estão espalhados
preferencialmente em áreas de vulnerabilidade social. Possivelmente este é o
programa de inclusão digital maior do que em qualquer cidade do mundo. São
oferecidas oficinas de digitação, cursos de direitos humanos e consciência
ambiental.”
A prefeitura de São Paulo também
participou da organização do Campus Party. Até então, o evento só era realizado
na Espanha. Uma nova edição no Brasil deve ocorrer ainda em 2009.
Para o secretário municipal, iniciativas como essa, aliadas à difusão
dos telecentros, são importantes para credenciar a população a utilizar a
informática e navegar na internet. “É o conhecimento na busca pela empregabilidade, da
inclusão. Um país que não tem essa preocupação vai ficar a reboque dos outros.”
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