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Brasília - A discussão e a votação, na Câmara dos Deputados, da Medida
Provisória (MP) 398/07, que cria a Empresa Brasil de Comunicação (EBC),
também chamada de TV pública, pode ser dificultada pela disputa entre governo e
oposição pela relatoria e a presidência da Comissão Parlamentar Mista de
Inquérito (CPMI) que vai investigar o uso dos cartões corporativos.
A oposição promete dificultar as votações na Casa, a fim de
pressionar aliados do governo por um dos dois cargos no comando da CPMI. A presidente da EBC, Tereza Cruvinel, disse esperar que o clima político
não atrapalhe a votação da MP.
“O clima no Congresso sempre é determinante do resultado das
votações. Espero que a oposição tenha a grandeza de examinar a proposta de um
sistema público de comunicação isentando do ambiente dos eventuais venenos da
conjuntura", disse. "O sistema público de comunicação deve ser visto
como uma conquista da cidadania. E uma conquista a longo prazo. Não pode ser
confundido e decidido à luz das questiúnculas da conjuntura como se vai ou não
ter CPMI. A oposição vai ter essa grandeza e esse discernimento na hora de
votar".
Ela rebateu as acusações de que a TV pública seria um canal de propaganda
governamental, e disse que a oposição teve duas oportunidades de discutir o
assunto.
A primeira nos debates no Congresso e a segunda assistindo à
programação da emissora, que está no ar desde 2 de dezembro do ano passado.
"Ainda há muito o que fazer, mas já dá para perceber a
afinidade da gestão da televisão com a proposta de uma TV pública com uma
programação diferenciada e voltada essencialmente para a cultura e a
cidadania", afirmou Cruvinel.
O relator da medida provisória, deputado Walter Pinheiro (PT-BA), acolheu
grande parte das 131 emendas apresentadas à proposta original.
Entre as alterações, está a que determina que o Conselho
Curador da EBC seja formado por, no mínimo, um representante de cada
região do país, representantes da Câmara e do Senado e da sociedade civil.
"Qualquer cidadão poderá indicar seu nome. O nome será
submetido à apreciação e o novo conselho vai ser escolhido", disse o
deputado.
Segundo ele, a composição do atual conselho, já foi formado,
não poderia ser alterada para obedecer às novas regras. Mas como o mandato no
colegiado é de dois anos, o próximo Conselho já seguirá essas medidas.
O relatório do deputado, lido no plenário da Câmara na semana passada, também
determina que a TV pública tenha limitações no espaço comercial.
"A TV pública não pode ser instrumento de autopromoção
do governo. Não é para fazer divulgação das coisas de governo, não pode
concorrer com a atividade comercial. No que diz respeito à publicidade, não vai
poder receber recursos, anúncios ou propaganda institucional que esteja
relacionada a produtos e serviços".
Sobre a programação, a nova TV terá de transmitir programas culturais entre 6h
e meia-noite. "Historicamente, assistimos à transmissão de programas
culturais educativos acontecerem durante a madrugada. A TV Pública vai ter de
obrigatoriamente exibir esses programas nesse horário permitindo que o público,
de um modo geral, possa acompanhar a programação", ressaltou Pinheiro.
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