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18 de Fevereiro de 2008 - 18h39 -
Última modificação
em 18 de Fevereiro de 2008 - 18h42
Entidades fazem ato de apoio à criação de TV pública
Iolando Lourenço e Priscilla Mazenotti
Repórteres da Agência Brasil
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Wilson Dias/Abr
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Brasília - Diretor de teatro José Celso Martinez encena durante manifestação de artistas e representantes de entidades à favor da criação da TV pública
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Brasília - Centenas
de entidades voltadas ao setor de comunicação pública fizeram uma manifestação hoje
(18) no Salão Verde da Câmara dos Deputados em defesa da aprovação da Medida Provisória (MP) 398/07,
que cria a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), também chamada de TV Brasil.
A MP, em
vigor desde outubro passado, está sendo discutida na Casa para ser votada, e encontra resistência da oposição. Após o ato, os participantes visitaram gabinetes de líderes da oposição em busca de apoio.
Os representantes das entidades ressaltaram a importância da criação da TV pública para resgatar a cultura regional, abrir espaço para produções
independentes, educacionais e científicas e dar oportunidade ao cidadão de
participar ativamente do novo sistema.
"Não temos uma TV pública em
que o público não só tenha acesso para ver como acesso para usar, para
manifestar suas informações, seus pedidos, aspirações, sonhos", disse o cineasta Luiz Carlos Barreto. "A TV pública é, na
verdade, o começo de uma revolução e de uma reforma no sistema de comunicação
social brasileiro”.
Segundo ele, a TV pública pode influenciar as emissoras comerciais, como ocorreu em outros
países.
“O sistema comercial de TV na França e na Inglaterra foi altamente
influenciado pelas TVs públicas, a BBC de Londres e o TF1 da França. Aqui é mais que isso, é um canal público. Não quer dizer público do
governo, do Estado. É público do povo, vai ser a TV do povo brasileiro”.
A cineasta Tizuka Yamazaki
considera a criação da TV pública uma “grande janela de trabalho” para a
produção audiovisual brasileira.
“O cinema e o audiovisual brasileiros
basicamente não têm espaço nem nos cinemas, dominados pelo cinema americano,
nem nas TVs abertas. Nós, que somos independentes, precisamos da TV pública para
que possamos escoar o nosso trabalho. Somos cúmplices dessa necessidade de
divulgar, de mostrar, de refletir o nosso universo cultural".
Na avaliação dela, normalmente, as emissoras comerciais e educativas não abrem espaço para
produções brasileiras independentes.
“O conteúdo da TV comercial é ditado pelo
patrocinador. Você vai à reboque de quem está pagando. A TV educativa está
muito voltada para uma TV didática. A TV pública que queremos é uma televisão
onde a gente possa colocar o produto audiovisual independente”.
No ato de apoio à MP 398/07,
o secretário de Identidade e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura, Sérgio
Mamberti, leu uma carta do ministro Gilberto Gil.
“Sim a uma TV interativa e
sensível aos debates nacionais, sim a uma TV da diversidade cultural que não
seja pautada apenas pelo ibope, mas pelo conjunto dos cidadãos porque
democracia não é imposição de uma maioria hegemônica, mas direito das diversas
minorias”, diz o documento.
A manifestação foi organizada por entidades como a Associação Brasileira das
Emissoras Públicas, Educativas e Culturais (Abepec), Associação Brasileira de
Canais Comunitários (Abcom), Associação Brasileira de Televisões
Universitárias (ABTU) e Associação Brasileira de Produtoras Independentes de TV
(ABPITV).
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