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Brasília - O projeto
de lei que cria regras para o setor de TV por assinatura e para a
produção e programação de conteúdos
para esse serviço deve ser votado na Comissão de
Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática
da Câmara em março. A previsão é do
relator da matéria, deputado Jorge Bittar (PT-RJ), que terá
que avaliar as 132 emendas que o projeto recebeu durante a
tramitação.
Bittar
debateu o assunto hoje (19) com representantes de empresas do setor –
Sky, Globosat e Telefônica – durante o seminário
Políticas de (Tele)Comunicações – Convergência
e Competição, na Universidade de Brasília (UnB).
O deputado defendeu uma nova legislação para os
serviços de TV por assinatura, pois a atual, segundo ele, é "fragmentada e está ligada a aspectos tecnológicos”.
Atualmente,
o serviço de TV por assinatura é regulamentado por
três mecanismos legais diferentes. A transmissão de TV a cabo é
regida pela Lei 8.977/95, conhecida como Lei do Cabo. Já as
transmissões por microondas (MMDS) ou via satélite
(DTH) são reguladas por um decreto.
A aposta de Bittar é que uma mudança na regulação
do setor democratize o acesso de consumidores de baixo poder
aquisitivo aos serviços de TV paga. “Hoje
temos 5 milhões de assinantes, queremos chegar a 15 ou 20
milhões em um período razoável de tempo. Isso
vai ser possível com um ambiente competitivo, com
simplificação de ofertas de serviços para que
todos possam entrar nesse mundo”, avaliou.
O
principal contraponto apresentado por empresários do setor é
a previsão de “cotas” para exibição de
conteúdos nacionais na programação das TVs por
assinatura, proposta incluída no projeto de lei. “O mercado
de conteúdo precisa de fomento, não de legislação.
Há coisas muito mais importantes para se preocupar do que as
TVs pagas”, apontou o presidente da Sky, Luiz Eduardo Baptista.
“Não
estamos colocando o ovo em pé. As cotas já existem em
mercados como a Europa e o Canadá. E estamos dispostos a
ajustar o sistema para proteger o mercado brasileiro e o interesse
dos consumidores”, respondeu Bittar.
Já
o diretor-geral da Globosat, Alberto Pecegueiro, argumentou que
investir em produção de conteúdo para atrair
assinantes é difícil diante da concorrência da
programação da TV aberta brasileira. “É
difícil competir aqui dentro e também levar conteúdo
produzido aqui para fora do país”, afirmou ao sugerir a
criação de mecanismos de estímulo à
exportação de produção nacional para o
mercado externo de TV por assinatura.
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