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Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr
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Buenos Aires (Argentina) - Presidente Lula e a presidente Cristina Kirchner, durante assinatura de Declaração Conjunta, no Salão Branco da Casa Rosada, sede do governo argentino
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Rio de Janeiro - A presidente argentina, Cristina Kirchner, deve continuar dando grande importância à Venezuela como parceira internacional, mas há espaço para que o Brasil reforce os laços com o país vizinho. Essa é a opinião de acadêmicos e políticos argentinos entrevistados pela Agência Brasil.
O cientista político Martín D’Alessandro, da Universidade de Buenos Aires (UBA), acredita que a Venezuela continuará sendo um forte parceiro da Argentina. Ele acha, no entanto, que a postura “cada vez menos confiável” do presidente venezuelano Hugo Chávez em questões internacionais pode ser uma chance para que Brasília amplie ainda mais suas relações com Buenos Aires.
“A Venezuela colocou muito dinheiro na Argentina e há, inclusive, suspeitas de que enviou dinheiro ilegalmente para a campanha presidencial de Cristina Kirchner. Mas Chávez é um líder regional cada vez menos confiável: sua ambição regional, sua afinidade com as Farc [Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia], seu discurso belicista para com a Colômbia, as restrições a algumas liberdades individuais dos opositores são gestos que comprometem uma busca de consensos dentro do Mercosul”, afirmou D’Alessandro.
Para o cientista político, Cristina Kirchner está mais preocupada com questões institucionais e com o Mercosul que seu marido, o ex-presidente Néstor Kirchner. E, justamente por isso, “voltará sua atenção para o Brasil”.
O deputado nacional Agustín Rossi, presidente do principal bloco partidário governista na Câmara dos Deputados da Argentina, afirma que a Venezuela é uma importante aliada de seu país, mas as relações com o Brasil são a “base da política internacional argentina”.
“A Venezuela é um país com que temos relações, assim como temos com o resto do bloco regional. Estamos agradecidos por muitas atitudes que o governo venezuelano teve com o governo argentino e queremos que ela se integre como membro pleno do Mercosul. Mas temos a firme convicção de que o eixo articulador de uma política de integração na América Latina passa pelas boas relações entre a Argentina e o Brasil”, ressaltou o deputado.
Já o diretor do Departamento de Ciência Política da Universidade
de Buenos Aires (UBA), Jorge Mayer, acha que Cristina já elegeu a Venezuela como
prioridade número um pelos próximos quatro anos por causa da ajuda
financeira vinda de Caracas. "Em matéria de relações internacionais, os
Kirchner, tanto Néstor quanto Cristina, tratam de estabelecer boas
relações com o Brasil, mas privilegiam as relações com a Venezuela. Por
questões que se referem ao lado financeiro, porque a Venezuela está
comprando bônus e ajudando a financiar a dívida externa argentina.”
De acordo com um levantamento do Ministério da Economia e Produção da Argentina, que analisou os sete primeiros meses de 2007, o Brasil foi o principal parceiro comercial daquele país, sendo o destino de 19% das exportações e a origem de 33% das importações. Mas, no período de um ano, a Venezuela aumentou sua participação como compradora da Argentina em 60%, enquanto o Brasil cresceu 28%.
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