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Brasília - Diante dos altos índices de
pobreza no Brasil e do pouco acesso de jovens ao ensino superior, as
concessões de crédito estudantil não deveriam
privilegiar determinados cursos de graduação. A
avaliação é do presidente da Comissão de
Ensino Superior da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Adílson
Gurgel, ao comentar a promessa do ministro da Educação,
Fernando Haddad, de que novas políticas para o Programa de
Financiamento Estudantil (Fies) devem ser anunciadas ainda este mês.
“Que não se prive o jovem
do direito de escolher a profissão que vai seguir, para que o
critério de escolha dele não seja o curso que esteja
sendo financiado. Vamos deixar que as profissões e as vocações
possam aflorar.”
No último dia 13, Haddad
afirmou que alunos que cursam áreas onde há carência
de profissionais terão prioridade na obtenção
dos financiamentos. Já para as áreas consideradas
saturadas, o crédito será restringido. Segundo o
ministro, áreas ligadas à engenharia, por exemplo, poderão
contar com mais financiamentos, enquanto o curso de Direito
deve receber menos alunos com crédito estudantil.
“O que a gente espera é
que, se não houver condições de mais recursos,
que pelo menos não se diminuam os recursos”, disse Gurgel.
Apesar de admitir a possibilidade de o curso de Direito já estar saturado – segundo ele, existem cerca de
1.088 cursos e mais de 250 mil ofertas de vagas em todo
o país – Gurgel destaca a importância do
financiamento estudantil para os alunos que buscam a graduação.
“Nós não temos uma
quantidade muito grande de pessoas que podem pagar uma prestação
que vai de R$ 500 e que chega, em alguns casos, a R$ 1,2 mil por mês.
Essas linhas de financiamento que existem ajudam as famílias
carentes a formar seus jovens.”
Para ele, as novas regras não devem
propor a diminuição do financiamento que já é
concedido atualmente aos alunos de Direito, mas aumentar o incentivo
para as áreas onde há escassez de mão-de-obra.
“Insisto em que não haja
restrição na área de Direito porque vocação
é algo que você não pode impor. É uma área
que oferece um leque de oportunidades muito grande para o jovem. Você
pode até dar um incentivo melhor para outras áreas, mas
que não se restrinja qualquer profissão.”
Gurgel acredita que, diante da
grande oferta de vagas para Direito, o melhor caminho seria investir
na qualidade dos cursos oferecidos. Ele lembra que o MEC, com o apoio
da OAB, realiza um trabalho de supervisão dos cursos de
graduação.
“Em vez de se fazer
restrição pura e simplesmente, deve-se estimular quem
está praticando a qualidade. Os cursos estão procurando
melhorar. É importante que encontrem estímulos,
inclusive financeiros, para poder continuar sua luta pela
melhoria.”
Gurgel
acredita que a possibilidade de ingressar em cargos públicos é
o maior atrativo para que os jovens tenham interesse em ingressar em uma faculdade de Direito.
“Todo e qualquer concurso público
em fiscalização é aberto ao bacharel em Direito.
Como o serviço público, hoje em dia, é
extremamente atraente pela estabilidade que garante, acho que esse é
um dos principais motivos que levam os jovens a fazer o curso de
Direito”, avaliou.
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