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São Paulo - Patrícia Camargo Magalhães iria participar pela primeira vez
de um congresso internacional de Física em Lisboa, capital de Portugal. Para
economizar, resolveu pousar em Madri, na Espanha, antes de pegar um vôo de
conexão.
Mas o sonho de estar em companhia de alguns dos mais importantes pesquisadores
do mundo na área de Partículas Elementares foi interrompido por autoridades
espanholas que não a deixaram entrar no país.
Em vez de participar do congresso, Patrícia ficou 3 dias detida no aeroporto de
Madri, onde ficou confinada em uma sala com outras cerca de 60 pessoas.
Patrícia conta que, por causa da superlotação do local, foi obrigada muitas vezes a
descansar e comer no chão. Também ficou sem tomar banho e escovar os dentes.
O argumento para não poder entrar no país Patrícia só soube no último dia
12, pouco antes de ser levada para o avião que a traria de volta ao Brasil. A
razão, segundo ela, seria a falta de documentação adequada que justificasse o
motivo e condições de estadia na Europa.
Ao chegar em Madri, às 9h30 do dia 10 de fevereiro,
autoridades espanholas pediram a Patrícia o comprovante de reserva do hotel em
que ela ficaria em Lisboa. Ela estava sem o documento e por isso foi detida no
aeroporto.
Então, Patrícia entrou em contato com seu orientador, o professor titular do
Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP) Manoel Roberto
Robilotta, que também estaria no congresso.
Ele enviou um fax para a imigração espanhola
no aeroporto de Madri, confirmando que Patrícia participaria do evento. A
mesma carta foi enviada ao consulado brasileiro em Madri.
Robilotta também se mobilizou para que o hotel de Lisboa
enviasse às autoridades espanholas a confirmação de reserva. O esforço foi
em vão, e Patrícia não foi liberada.
O
Itamaraty também foi acionado no Brasil pela família de Patrícia. O Ministério
das Relações Exteriores diz que entrou em contato com o consulado brasileiro na
Espanha pedindo a liberação dela. Mas,
de acordo com o ministério, não foi possível convencer as autoridades espanholas. Desde a última sexta-feira (15), o médico
brasileiro Mohamed Kassen Omais está preso no Líbano sob a acusação de terrorismo.
Segundo a família dele, Omais foi confundido com um
homônimo cujo nome consta de uma lista de terroristas
procurados.
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