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23 de Fevereiro de 2008 - 11h32 -
Última modificação
em 23 de Fevereiro de 2008 - 14h32
Especialista defende que sedentarismo e fast food aumentam obesidade no país
Adriana Brendler
Repórter da Agência Brasil
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Wilson Dias/Abr
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Brasília - Pesquisa revelou que obesidade mórbida cresceu 255% entre a população brasileira nas últimas quatro décadas. As mulheres são as que mais sofrem com o problema
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Brasília - O aumento da obesidade no país é resultado do sedentarismo
cada vez mais acentuado e do aumento da ingestão calórica pela população. A
avaliação é do endocrinologista Márcio Mancini, presidente da Associação para o
Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso) e supervisor do Ambulatório
de Obesidade Mórbida do Hospital de Clínicas da Universidade de São Paulo (USP).
De acordo com o médico, o sedentarismo é fruto de vários
fatores, como a violência urbana, que tende a manter crianças e adultos
mais “confinados” dentro de casa, e o aumento do conforto gerado
pela evolução tecnológica .
“O transporte público, o uso de automóveis, a utilização
de instrumentos como telefone sem fio e de aparelhos eletrodomésticos fazem com
que as pessoas não precisem despender tanta energia para realizar atividades
cotidianas. Isso se reflete até mesmo na indústria. Muitos operários que antes
usavam força braçal, hoje, apertam um botão ou fazem movimentos que não
envolvem uso de força motora muito intensa” explicou .
Segundo Mancini, a busca pela praticidade e conveniência vem
fazendo com que as pessoas condicionem sua alimentação a soluções pouco
saudáveis com o aumento na ingestão de calorias. “As pessoas que trabalham
tendem a usar cada vez mais alimentos congelados ou comprados prontos, a pedir
as tele-entregas, a utilizar praças de alimentação de shopping centers,
assimilar hábitos estrangeiros como o uso de fast food. Isso faz com que
aumente não só a obesidade e também a gravidade dos casos da doença”, afirmou.
Em entrevista à Agência Brasil, o endocrinologista
informou que o Brasil ainda apresenta mais casos de sobrepeso (fase que antecede
à obesidade) do que de obesidade mórbida (grave ou de grau três), mas a
perspectiva é de inversão desse quadro.
“A tendência é essas pessoas com sobrepeso, com o passar dos
anos, tornarem-se indivíduos obesos, então a perspectiva é aumentar a obesidade
e o número de obesos mórbidos, e a situação brasileira parecer mais com a de
países desenvolvidos, como os Estados Unidos”, defende.
Para o especialista, alterar essa tendência depende de atitudes firmes no sentido de educar para a
alimentação saudável, especialmente as crianças, já que a mudança de hábitos em
adultos é muito difícil. ”É mais fácil a criança mudar o hábito do adulto a
partir da informação. Da mesma forma que elas questionam os pais quando colocam
uma [garrafa] pet na rua, por
que ouviram sobre reciclagem, podem chamar sua atenção para comer alimentos
assados ao invés de frituras, por exemplo. Para isso basta que recebam essa
informação na escola”.
O médico avalia que medidas educativas terão de enfrentar a
concorrência da propaganda, que estimula permanentemente o consumo de produtos
com alto teor de gorduras e açúcares. Ele defendeu a regulamentação das
propagandas de alimentos voltadas ao público infantil e a proibição de
distribuição de brindes atrelada à venda desses produtos.
Mancini apontou, como alternativa para promover a alimentação
saudável, a criação de um selo obrigatório na embalagem dos alimentos,
identificando-os como saudáveis ou não, a fim de orientar o consumidor na hora
das compras. A medida já é adotada em países como a Suécia.
O endocrinologista destacou o pioneirismo brasileiro que foi o
segundo país do mundo (precedido pelos Estados Unidos) a exigir a informação
nutricional nos rótulos de alimentos, mas disse que essa prática é, ainda, de
difícil compreensão para a população. “Em geral esse rótulo não é observado e
quando é, é compreendido por uma minoria de pessoas. Teria que ser uma
informação mais fácil”, defendeu.
Uma resolução para regular a propaganda e divulgação de alimentos com
quantidades elevadas de açúcar, de gordura saturada, de gordura trans, de sódio
e de bebidas com baixo teor nutricional está em elaboração há cerca de dois
anos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A proposta de
regulamento foi colocada em audiência pública no final de 2006 para apreciação
da sociedade e dedicou uma seção específica para a propaganda destinada ao
público infantil. Entre outras regras, o documento prevê a proibição da
veiculação de publicidade na TV dos produtos em questão das 6 às 21 horas e a
obrigatoriedade da inclusão de alertas sobre os prejuízos à saúde causados
pelos alimentos, a
exemplo do que já acontece com a propaganda de cigarros. Segundo a Agência, o texto final da resolução
ainda está em estudo e não há prazo para conclusão.
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