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21 de Fevereiro de 2008 - 18h22 -
Última modificação
em 21 de Fevereiro de 2008 - 18h22
Governo pode ajudar Argentina se não houver risco de apagão no Brasil, diz ministro
Mylena Fiori
Enviada especial
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Fabio Rodrigues Pozzebom/ABr
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Buenos Aires (Argentina) - Ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, durante entrevista coletiva sobre a visita do presidente Lula ao país vizinho
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Buenos Aires (Argentina) - Poucas horas antes da
chegada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Argentina, o ministro das
Relações Exteriores, Celso Amorim, garantiu que há disposição do governo
brasileiro em ajudar o país vizinho a superar uma eventual crise energética,
desde que isso não represente risco de desabastecimento no Brasil.
“O Brasil não vai tomar uma
posição que implique um risco de apagão”, afirmou hoje (21), em entrevista coletiva.
O ministro frisou que o
Brasil não pode se comprometer “de antemào” a ceder gás para a Argentina,
pois não sabe qual será a necessidade brasileira quando o inverno argentino
chegar.
"Nem sequer os argentinos
estão pedindo isso”, afirmou. “A gente não sabe quão severo será o inverno aqui
e como estarão as hidrelétricas no Brasil".
O assunto será discutido pelos
presidentes do Brasil, da Bolívia, Evo Morales, e da Argentina, Cristina Kirchner, em reunião a ser realizada neste sábado
(23) na capital argentina.
A Bolívia produz em torno de
35 milhoes de metros cúbicos de gás natural por dia, mas os contratos de
fornecimento chegam a 46 milhões. O consumo interno boliviano é de cerca de 6
milhões de metros cúbicos.
Só para o Brasil, cliente preferncial, devem
ser encaminhados diariamente até 30 milhões de metros cúbicos do combustível.
O
contrato com a Argentina prevê um mínimo de 4,6 milhões de metros cúbicos ao dia
em 2008 e 2009. E 27,7 milhões a partir de 2010, com a conclusão do futuro
Gasoduto do Nordeste Argentino.
Historicamente, o Brasil usa entre 27 e 29 milhões de metros cúbicos por dia dos trinta a que tem
direito.
Incapaz de cumprir com os
contratos firmados, a Bolívia propõe que o Brasil abra mão de parte desta cota
em favor da Argentina, como fez em 2007.
Mas o governo brasileiro parece mais disposto em fornecer outro tipo de
energia, como a elétrica.
Amorim lembrou que, no ano
passado, a Argentina pediu quatro milhões de metros cúbicos de gás por dia ao
Brasil, mas o governo brasileiro abriu mão de apenas um milhão. Para compensar, forneceu
energia elétrica ao parceiro do Mercosul.
Solução semelhante poderia
ser adotada este ano. O Brasil, no entanto, não está disposto a flexibilizar o
Tratado de Itaipu e permitir que o Paraguai venda à Argentina a energia a que
tem direito e que tem não utiliza.
Essa é uma demanda antiga do Paraguai, mas o
Brasil insiste em fazer valer o contrato pelo qual um país é obrigado a vender ao
outro energia não utilizada por preço de custo.
“O Brasil precisa dessa
energia”, ressaltou o ministro, admitindo que não sabe se o Brasil forneceu energia de Itaipu
à Argentina em 2007.
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