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24 de Fevereiro de 2008 - 12h35 - Última modificação em 24 de Fevereiro de 2008 - 18h53


Construção de novo bairro residencial em Brasília é precipitação, diz pesquisador

Luana Lourenço
Repórter da Agência Brasil

 
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Wilson Dias/Abr
Brasília - Governo do Distrito Federal pretende construir novo bairro residencial nessa área de 200 hectares em Brasília. Licitação deve sair sair em 90 dias
Brasília - Governo do Distrito Federal pretende construir novo bairro residencial nessa área de 200 hectares em Brasília. Licitação deve sair sair em 90 dias
Brasília - A construção de um novo bairro residencial em Brasília, cidade tombada pelo Patrimônio Histórico da Humanidade, é uma “precipitação”, de acordo com professor e pesquisador do Departamento de Geografia e do Núcleo de Estudos Urbanos e Regionais da Universidade de Brasília, Aldo Paviani.

O bairro, batizado de Setor Noroeste, vai ocupar uma área de 200 hectares, com 220 edifícios divididos em 20 quadras. De acordo com o plano urbanístico, vai abrigar 40 mil moradores.

“Antes de novos bairros, como o Noroeste, seria necessário um grande plano para urbanização e metropolização; é preciso pensar para que lado a cidade cresce, como ela cresce, para quem cresce”, apontou o urbanista.

Para Paviani, a criação do bairro é impulsionada pelo setor imobiliário, “porque é para as classes A e B”. O professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UnB, Antônio Carlos Carpinteiro, defende a implantação do bairro, mas também critica a segmentação. “Discordo dessa coisa de se criar um setor quase de luxo, enquanto as habitações mais pobres ficam de fora [do Plano Piloto], ficam longe. Podiam equilibrar um pouco essa ocupação urbana não criando esses quistos de pobreza e quistos de riqueza”.

O secretário de Desenvolvimento Urbano e Meio Ambiente, Cássio Taniguchi, nega que o bairro seja destinado exclusivamente às classes de maior poder aquisitivo. “Não queremos um gueto, pelo contrário, queremos uma vizinhança diversificada”. De acordo com o secretário, o plano urbanístico prevê a construção de “quitinetes e habitações menores” nos andares superiores de prédios comerciais. “Não será necessariamente um bairro de alto poder aquisitivo”, afirmou.

Já o vice-governador do Distrito Federal, Paulo Octavio, reconhece que o bairro vai representar “um bom momento para a classe média, que precisa ter alternativas de aquisição de imóveis”. O próprio vice-governador, que também é secretário de Desenvolvimento e Turismo do DF e dono de uma das principais empresas de construção civil da cidade, deverá participar da licitação. “Eu não faço obras para o governo. Nada impede que, sendo sócio de uma empresa, participe de uma licitação pública. Deus queira que a empresa ganhe alguma coisa [na licitação do Noroeste]”, afirmou.


 


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