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23 de Fevereiro de 2008 - 16h37 - Última modificação em 23 de Fevereiro de 2008 - 16h37


Risco de falta de energia ronda argentinos desde o ano passado

Mylena Fiori
Enviada especial

 
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Buenos Aires (Argentina) - O risco de falta de energia ronda os argentinos desde o inverno do ano passado, quando o frio rigoroso provocou aumento inesperado no consumo de gás - necessário para os sistemas de calefação. Em dezembro, o uso de ar-condicionado em razão do intenso calor provocou os primeiros apagões de energia elétrica, anunciando nova crise energética.

Os argentinos temem que este ano o racionamento de energia se repita. "A partir do que passou em dezembro, sempre temos o temor de que haja recessão", conta Hugo Cabrera, recepcionista de um hotel de Buenos Aires.

Em 2007, para evitar falta de gás nas residências, o governo argentino promoveu cortes nas indústrias o que, de acordo com a população, resultou no aumento geral de preços.  "Quando há um problema se sente primeirono bolso do usuário, sempre", diz Cabrera. "Ainda que o governo diga que não, houve inflação", acrescenta o promotor de vendas Juan Carlos Tas.

Também houve racionamento na venda de gás natural comprimido (GNC) para automóveis – praticamente toda a frota de táxis de Buenos Aires é movida a gás. O taxista portenho Norberto Vivanco conta que durante alguns dias foi suspensa a venda de gás combustível e os carros tiveram que abastecer com gasolina.

"Todo o gás que havia era para consumo familiar", lembra. "O preço não é o mesmo, a gasolina está 2,10 pesos e o gás, 0,80", observa outro taxista, Jorge Allegre. Um real equivale a cerca de 1,75 pesos.

Para amenizar a crise, a pedido do governo argentino o Brasil cedeu um milhão dos 30 milhões de metros cúbicos de gás/dia a que tem direito pelo contrato com a Bolívia e forneceu energia elétrica ao país vizinho. Este ano, segundo acordo firmado hoje (23) entre os dois países, o Brasil fornecerá 200 mil megawatts/hora de energia elétrica que serão pagos em energia quando a Argentina puder.

O recepcionista argentino espera que o Brasil continue ajudando seu parceiro do Mercosul, caso necessário. "O Brasil, como um dos membros mais poderosos do Mercosul, sempre ajuda em tudo economicamente, tecnologicamente também. Isso não podemos negar, é uma realidade", afirma ele.

"Sempre do Brasil se espera muito mais, é um país muito grande e um irmão. Brasil também espera algo da Argentina, mas não estamos em condições de fazer isso agora”. Ele lembra que o país ainda está se recuperando da crise econômica desencadeada em 2001.

Para o promotor de vendas Juan Carlos Tas, é responsabilidade do governo argentino investir mais para que o país produza sua própria energia. "Sem energia um país não funciona, é importante que a gente produza nosso próprio gás, mas não há investimentos. Vocês fizeram estes investimentos, nosso país, não", argumenta. "Se não produzimos, temos que importar e pagar caro por isso", completa.



 


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