|
Brasília - O diretor do Sindicato
Nacional dos Aeroportuários (Sina), Francisco Lemos, elogiou a
iniciativa dos superintendentes da Empresa Brasileira de
Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) de fazer um
abaixo-assinado contra a influência política na nomeação
de diretores da estatal.
“Eu acho válido
quando os servidores tentam defender a empresa da especulação
[política]”, disse Lemos à Agência
Brasil.
Embora ainda não
tivesse sido informado do abaixo-assinado, Lemos disse que “a
blindagem” da empresa é oportuna, já que as
constantes trocas em cargos chave, como a presidência, tornam a
Infraero “muito menos dinâmica que as necessidades do setor”.
“A todo momento
troca-se a administração da Infraero. A cada vez vem
uma legião de pessoas que não são do ramo. Elas
acabam ficando com os cargos de decisão, enquanto os
servidores de carreira, que sabem onde os investimentos são
mais necessários, ficam reféns, esperando até
que cada novo diretor tome conhecimento do funcionamento da máquina”,
disse Lemos.
O documento entregue ao
Ministério da Defesa na última quarta-feira (20) foi
assinado por 64 dos 83 superintendentes que trabalham na sede de
empresa, em Brasília, em parte dos 67 aeroportos administrados
pela estatal e nas oito regionais nacionais.
Para o sindicalista, o
número de servidores é representativo. “Eu acredito
que os que não assinaram não o fizeram porque não
tiveram a oportunidade”.
Os servidores dizem ter
feito o abaixo-assinado espontaneamente, por temerem as eventuais
conseqüências da “descontinuidade administrativa e da
troca semestral de dirigentes da empresa”.
O Ministério da
Defesa não comenta o assunto.
O sindicalista garante
que foi graças aos servidores de carreira que a empresa
conseguiu contornar a recente crise aérea. “O Gaudenzi
consultou mais o pessoal orgânico do que [seus antecessores]
os que vinham fazendo. Os servidores tiveram mais oportunidades de se
expressar”, afirmou.
Para Lemos, embora
importante, a permanência dos diretores que tenham um perfil
técnico não é suficiente para preservar as
diretrizes da empresa. “Seria necessário termos o mínimo
de contratos especiais possíveis. Ou seja, deixar a empresa
ser administrada por funcionários [de carreira] que já
estão aqui e sabem o que estão fazendo”.
Atualmente, segundo
Lemos, a estatal mantém 196 pessoas nestas condições,
contratadas sem concurso público, além de cerca de 16
mil terceirizados.
“O perigo das
terceirizações é que, hoje, o passivo
trabalhista da Infraero ultrapassa R$ 100 milhões. A
terceirização causa um prejuízo muito grande,
pois a empresa contratada não paga seus encargos trabalhistas,
vai embora, e a contratante, no caso, a Infraero, tem de arcar com
tudo isso”, denunciou o sindicalista.
|