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Brasília - A decisão do
Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na última quinta-feira
(21), que "zerou" a tramitação de processo de
cassação do governador de Santa Catarina, Luiz Henrique
da Silveira, foi criticado pelo
Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral
(MCCE).
O TSE decidiu recomeçar
o julgamento do processo argumentando a necessidade de notificação
do vice-governador para ser ouvido no processo. O movimento acredita
que “a decisão cria um precedente que pode ser alegado até
por políticos já cassados", segundo o secretário
executivo da Comissão Brasileira de Justiça e Paz, que
integra o movimento, Carlos Moura.
Em entrevista coletiva
realizada hoje (25) na Conferência Nacional dos Bispos do
Brasil (CNBB), Moura disse que vê com "estranheza e
preocupação" a decisão do TSE, que modifica
a essência a Lei 9.840, de 1999, para combater a compra de
votos e o uso da máquina administrativa em período
eleitoral. A lei é de iniciativa popular, e chegou ao
Congresso com 1,2 milhão de assinaturas.
O juiz eleitoral Márlon
Reis, presidente da Associação Brasileira de
Magistrados, Procuradores e Promotores Eleitorais (Abramppe),
integrante do movimento, elogiou os "avanços e exemplos"
em várias decisões do TSE na moralização
do processo eleitoral, como o aumento do rigor na questão da
fidelidade partidária.
“Mas infelizmente,
nesse caso específico, entendemos que a decisão não
foi a mais correta", criticou.
Segundo o juiz, a
decisão não provocou um simples adiamento da votação,
que já tinha três votos pela cassação, mas
estabeleceu, na prática, a anulação completa do
processo.
Para o juiz, o mais
grave da decisão é a repercussão que pode ter em
processos semelhantes. Pelos seus cálculos, tramitam
atualmente na Justiça Eleitoral cerca de 400 processos de
prefeitos e vice-prefeitos acusados de corrupção nas
últimas eleições, em 2004, e muitos deles
poderão pedir a nulidade de decisões anteriores com
base no novo entendimento do TSE.
Márlon Reis
alertou que pedido semelhante já estava ocorrendo, já
que hoje (25) cedo a defesa do governador da Paraíba, Cássio
Cunha Lima, cujo mandato foi cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral
(TRE), protocolou pedido no TSE para que o vice-governador daquele
estado seja notificado para se defender no processo de cassação
do governador.
O juiz ressaltou que o
novo entendimento do TSE "é uma garantia de impunidade"
para todos que ainda não tiveram os processos transitados em
julgado (quando não cabe mais recurso), pois "não
há mais tempo hábil para serem julgados", uma vez
que os atuais mandatos terminam em 1º de janeiro do ano que vem.
Ele adiantou que o MCCE
vai se empenhar no TSE para que os ministros revertam o entendimento
adotado, por quatro votos a três, se necessário por meio
da Procuradoria-Geral Eleitoral. "O que conta é
a cabeça da chapa, e o entendimento da Justiça
Eleitoral sempre foi esse", defendeu.
O juiz Márlon Reis
acha "plenamente possível" que os ministros do TSE
retomem a prática anterior. "Estamos
confiantes que ao perceber o tamanho das conseqüências
dessa decisão, o tribunal voltará a
decidir como sempre o fez".
Questionado se não
seria o caso de tentar modificar a própria lei, ele disse que
o movimento "só tem tido dissabores" na relação
com o Congresso, e afirmou que os parlamentares só aprovaram a Lei 9.840 porque "seria
muito constrangedor" não dar aval a uma norma segundo a
qual quem compra votos deve ser punido.
"Não
acreditamos que o Congresso aprove leis que aumentem o rigor na
aplicação das normas contra a corrupção
eleitoral", afirmou.
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