



|
São Paulo - Uma comissão independente será criada até o final deste ano
para vistoriar locais em que há cidadãos presos e combater possíveis práticas
de tortura existentes nesses lugares. A informação é do coordenador-geral de combate à tortura
da Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH), Pedro Montenegro, que
participou hoje (25) da abertura de seminário internacional sobre o tema na Universidade de São Paulo (USP). “A comissão vai vistoriar todo e qualquer local onde há
pessoas privadas da liberdade e fazer relatórios que serão encaminhados às
autoridades competentes, a fim de exigir melhorias”, afirmou Montenegro, em entrevista à Agência Brasil.
“Estudos internacionais demonstram que visitas regulares a esses locais ajudam
a criar ambientes seguros”, acrescentou.
A criação da comissão, informou, faz parte de um
compromisso firmado entre o Brasil e a Organização das Nações Unidas (ONU),
em junho de 2006, e por esse acordo a comissão
deve ser permanente e de caráter “público não estatal”, só atrelada ao governo para receber os recursos necessários a suas atividades. “O órgão vai resolver um problema muito grave do Brasil, que
não conta com dados precisos, cirúrgicos, que auxiliem o combate desta prática
nefasta", disse. Montenegro admitiu que, quase 60 anos depois da publicação
da Declaração Universal dos Direitos Humanos e 20 anos após a promulgação da
Constituição – que condenam a tortura –, a camada mais pobre da sociedade
brasileira ainda sofre com abusos de policiais e agentes
penitenciários, principalmente. “No Brasil ainda existem a tortura para obtenção da confissão e
a tortura para castigo, que acontece quando a pessoa já está presa”, explicou.
De acordo com Montenegro, dois problemas básicos impedem a
redução dos casos de tortura no país: o primeiro, a crença de parte da
população que considera a tortura policial necessária para sua segurança, já que intimida os bandidos; o segundo,
a dificuldade de punição dos torturadores. “Em casos concretos, quando é aberto
um processo contra o torturador, quase nunca ele é condenado pela Justiça”, contou.
O seminário vai até quarta-feira (27), na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU).
|
|