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26 de Fevereiro de 2008 - 22h36 - Última modificação em 26 de Fevereiro de 2008 - 22h36


Fornecimento de energia à Argentina dependerá das chuvas, diz Dilma

Mylena Fiori
Repórter da Agência Brasil

 
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José Cruz/ABr
Brasília - A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, durante reunião na CNI   Brasília - A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, durante reunião na CNI
Brasília - O fornecimento de energia extra à Argentina não está assegurado. Dependerá da disponibilidade brasileira quando o inverno argentino chegar, afirmou hoje (26) a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.

“Emergencialmente, podemos fornecer energia daquelas usinas térmicas que não estiverem em funcionamento, principalmente aquelas a carvão, as nucleares, se houver disponibilidade no Brasil”, disse, após encontro com empresários na Confederação Nacional da Indústria (CNI).

No último sábado (23), após encontro do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com os presidentes da Argentina, Cristina Kirchner, e da Bolívia, Evo Morales, o Brasil se propôs a enviar um adicional de 200 megawatts/hora para suprir necessidades emergenciais do país vizinho. A Argentina pagará, também com energia, quando puder.

O país havia pedido ao Brasil um milhão de metros cúbicos de gás/dia, mais energia elétrica – mesma ajuda concedida em 2007 –, mas o governo brasileiro descartou ceder gás, sob o argumento de que neste ano precisará dos 30 milhões de metros cúbicos/dia a que tem direito, por contrato com a Bolívia.

Nada garante que o Brasil terá energia elétrica de sobra para fornecer ao parceiro do Mercosul, mas Dilma Rousseff se disse otimista. "Geralmente existe essa disponibilidade, não se despacha todas as térmicas nesse período de inverno, jamais despacharam”, informou. Frisou, porém, que a ajuda depende das chuvas.

De acordo com o presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, devido ao atraso do chamado “período úmido”, o despacho termelétrico aumentou 600% nos últimos seis meses. “Estamos com o período úmido atrasado. Enquanto ele estiver atrasado e os reservatórios [das hidrelétricas] estiverem se recompondo, não tem cabimento exportar aquilo que você está usando. Você só exporta o excedente”, disse.

A crise de abastecimento ronda a Argentina desde o ano passado, quando o frio rigoroso provocou aumento inesperado no consumo de gás – necessário para os sistemas de calefação. Em dezembro, o uso de ar-condicionado em razão do intenso calor provocou os primeiros apagões, anunciando nova crise energética. Para agravar o quadro, a Bolívia anunciou que não terá condições de cumprir o contrato de fornecimento de gás que tem com a Argentina – e que prevê um mínimo de 4,6 milhões de metros cúbicos/dia em 2008 e 2009, e 27,7 milhões a partir de 2010, com a conclusão do futuro Gasoduto do Nordeste Argentino.

Mesmo disposto a ajudar o país vizinho, o governo brasileiro propõe um debate mais amplo para planejamento de uma estratégia energética regional. “O Brasil não achou correto só discutir isso quando há necessidade. É melhor fazer uma discussão para que todos ganhem com um processo de investimento na região”, ponderou a ex-ministra de Minas e Energia. “É melhor fazer um projeto em que todos colaborem e cooperem para ampliar o fornecimento de energia”, defendeu.

 


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