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Brasília - A realização de uma consulta nacional que discuta a promoção de políticas de prevenção à aids com foco no público que exerce a prostituição é um avanço para o Brasil. A avaliação é da presidente da Articulação Nacional de
Travestis e Transexuais, Keila Simpson, que participou hoje (26), em Brasília, da abertura da primeira Consulta Nacional sobre Doenças Sexualmente
Transmissíveis e Aids, Direitos
Humanos e Prostituição.
“Nós que
viemos de um processo de violação de todos os nossos
direitos, de um processo de tortura só por sermos travestis, hoje, podemos sentar com o governo para discutir políticas
eficazes. Isso é um avanço. Pela primeira vez, movimentos
sociais que fazem prostituição estão discutindo
medidas eficazes para combater a discriminação e falar
sobre direitos humanos.” Representantes do
governo, da sociedade civil e de agências internacionais vão
discutir, durante três dias, os direitos humanos e o acesso universal à prevenção,
ao tratamento e à assistência com relação a doenças sexualmente transmissíveis. No total, vinte estados brasileiros estarão presentes nas discussões.
A consulta nacional vai
propor estratégias e ações de promoção
de saúde e eqüidade para as pessoas que exercem a
prostituição. Um documento vai ser elaborado e
trabalhado nas três esferas do poder público. Keila
Simpson espera que o evento seja um marco para os profissionais do
sexo.
“Nosso desafio agora
é pegar essas recomendações de A a Z e trabalhar
incisivamente com elas”, disse.
Segundo o secretário
de Vigilância em Saúde, Gerson Penna, o evento vai dar as
recomendações aos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário de como implementar políticas públicas
que garantam o acesso das prostitutas, dos travestis e transexuais ao
Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo ele, o Brasil é
pioneiro em participação de organizações não-governamentais (ONGs) e grupos específicos, compostos de gays e
lésbicas, no Programa Nacional de Aids. A consulta é uma
análise da política que o Brasil executa hoje em
relação a trabalhadores do sexo do ponto de vista da
prevenção. O objetivo é discutir e propor ações mais eficazes.
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