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Brasília - O secretário de Política
Econômica do Ministério da Fazenda, Bernard Appy, apresentou a mais de 100
empresários reunidos hoje (27) no Palácio do Planalto os principais pontos da reforma tributária que será entregue amanhã (28) ao Congresso Nacional
sob a forma de Proposta de Emenda à Constituição (PEC).
Appy defendeu a reforma pois,
segundo ele, a elevada carga tributária no Brasil levou a um círculo vicioso
no qual a informalidade faz com que as empresas formais paguem mais
impostos e, por isso, se vejam tentadas a ir
para a informalidade.
De acordo com secretário, nesse
cenário, o projeto de reforma tributária tem seis objetivos: simplificação de
impostos, fim da guerra fiscal, correção de distorções de estruturas
tributárias que prejudicam os investimentos e o crescimento, desoneração
tributária de forma relevante, melhora do desenvolvimento regional, além de ser o
primeiro passo na qualidade das relações federativas.
A proposta do governo prevê a
extinção da Contribuição para o
Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Programa de Integração Social (PIS), Contribuição de Intervenção
no Domínio Econômico (Cide-Combustível) e Salário Educação e a criação de um
Imposto sobre o Valor Agregado federal para substituir esses tributos. A
Contribuição Social sobre o Lucro Líquido será incorporada ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica para se transformar em um único imposto sobre o lucro. As
mudanças entrariam em vigor após o segundo ano de aprovação da emenda
à Constituição.
O Imposto sobre Produtos
Industrializados (IPI) foi mantido por ser importante para a política
industrial brasileira,como os incentivos ao setor de informática e a manutenção
da Zona Franca de Manaus. Outra importância do IPI, de acordo com Appy, é que o
tributo funciona como um imposto seletivo que tributa com alíquotas elevadas
cigarros e bebidas.
"Uma incorporação do IPI no
IVA-Federal iria exigir uma maior complexidade na legislação. Teríamos de
discutir como incluir no IVA esses benefícios que já existem complicando uma
proposta que se espera seja a mais simples possível", disse.
O secretário garantiu, porém, que,
com a manutenção do IPI, o imposto será simplificado. Segundo ele, todos os
produtos que não são importantes do ponto de vista da incidência seletiva, da
política regional e da política industrial vão ter a alíquota zerada.
"Isso significa, para a maior
parte das empresas, que elas vão deixar de pagar o Imposto sobre Produtos
Industrializados", afirmou.
O governo propõe ainda o fim das
27 legislações do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços
e a criação de um novo imposto com uma única base para os estados e o Distrito
Federal. O Imposto sobre Serviços (ISS) fica mantido porque, de acordo com o
secretário, não houve consenso entre os grandes municípios para extinguir o
tributo. Outro objetivo é fim da guerra
fiscal, com a redução progressiva da alíquota cobrada no estado de origem do
ICMS. O processo se iniciaria no segundo ano da aprovação da emenda
constitucional e acabaria no oitavo ano após a promulgação da emenda com a
criação do novo ICMS.
"Se aprovada em 2008, começaria
em 2010 e acabaria em 2016", explicou o secretário. O prazo tão longo de
transição, segundo ele, seria para viabilizar a "digestão do que já foi
concedido no bojo da guerra fiscal". Ou seja, evitar prejuízos para
toda a estrutura competitiva que existe hoje nos estados em conseqüência dos
benéficos tributários até que o novo regime seja implantado sem afetar
contratos e procedimentos já implantados.
Appy anunciou também, um item
importante incluído nos últimos dias na reforma, é manutenção de 2% do ICMS no
estado de origem como mecanismo de controle e custo de administração.
Segundo o ministro da Fazenda,
Guido Mantega, o governo gostaria de ter zerado o ICMS na origem, mas alguns
estados produtores se sentiram ameaçados de perder a totalidade da arrecadação.
Para evitar que alguns estados
tenham perdas com as mudanças, o governo propõe um fundo de equalização de
receitas. A forma como essa compensação será feita ainda não foi definida, disse o secretário de Política Econômica.
Para evitar que os estados burlem
a legislação, os estados que concederem novos benefícios vão deixar de receber
transferências do Fundo de Participação dos Estados (FPE), do Fundo de
Equalização de Receitas (FER), que está sendo criado e do Fundo Nacional de
Desenvolvimento Regional, que está sendo criado com a reforma tributária para
ajudar no crescimento econômico das Regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste.
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