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Brasília - Oito lideranças da etnia Yanomami de
Roraima e do Amazonas estão na capital federal para discutir
mineração em terra indígena e outras questões
relativas a seus povos. As lideranças pretendem permanecer em
Brasília até amanhã (28) à noite.
Os Yanomami pediram uma audiência com o presidente da Fundação Nacional do Índio (Funai) para amanhã
de manhã, a fim de tratar de assuntos como saúde e
territórios. Até o fim da tarde a reunião não
havia sido confirmada.
Ontem, a comitiva
participou de uma sessão da Comissão Especial sobre
Mineração em Terras Indígenas da Câmara
dos Deputados. O líder yanomami Davi Kopenawa entregou ao
presidente da comissão, deputado Édio Lopes (PMDB-RR),
um documento em que organizações indígenas e
socioambientais repudiam a ida de parlamentares da própria
comissão à aldeia. A visita ocorreu no dia 14, sem um
aviso à comunidade com antecedência, o que foi apontado
como um desrespeito.
Segundo Kopenawa, a mineração
afeta a área onde ocorre a extração de minério
com devastação ambiental, superpovoamento, alcoolismo e
confrontos violentos entre indígenas e não-índios.
Ele citou outro problema enfrentado pelos Yanomami na década
de 1970, com a construção da estrada Perimetral Norte
(a Rodovia Federal BR-210), e disse temer que se
repita se houver mineração em terra indígena: "O
povo Yanomami não a quer, e eu não quero, porque já
vem sofrendo de doenças levadas para a nossa comunidade, como
sarampo, gripe, tuberculose, malária, e outras doenças".
Para o deputado Márcio Junqueira (DEM-RR), que integra
a comissão, é necessário desmistificar a questão
e conhecer o potencial mineral do país. “Nós estamos
tendo a preocupação de identificar que minérios
existem nessas reservas indígenas e quais são as suas
potencialidades. Depois disso, ver o custo-benefício”,
relatou o parlamentar.
Davi Kopenawa também reclamou
que os deputados tentaram persuadir os Yanomami, oferecendo presentes
como facas e anzóis. Márcio Junqueira rejeitou a
acusação. Ele disse que apenas fez um comentário
aos índios: que as pessoas não devem ganhar as coisas,
têm de trabalhar, e que não precisam de peixe, e sim do
anzol.
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