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Manaus - A partir desta semana, indígenas de diversas etnias - entre
elas Marubo, Maiurana, Massapê e Korubo - poderão ter
um apoio importante na hora de lidar com os diversos casos de
intoxicação por plantas, alimentos ou por picadas de animais
peçonhentos.
De acordo com a coordenadora do Centro de
Informações Toxicológicas do Amazonas (CIT), Taís Galvão, nessa
quarta-feira (27), representantes de uma comunidade indígena de Roraima
e de três do Amazonas, incluindo o Vale do Javari, participaram de conferência por telefone para resgatar o contato com o CIT e
estabelecer o acesso ao serviço Disque Intoxicação.
As comunidades participantes da fonoconferência são isoladas, mas o
contato entre elas e o CIT pôde ser viablizado por meio de telefones
instalados pelo Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam) nas aldeias. Os
aparelhos fazem parte de uma rede de comunicação por satélite, a VSAT,
que desde 2002 permite a integração das populações indígenas e
ribeirinhas da Amazônia com as sedes dos municípios e órgãos federais,
como o próprio Sipam, e ainda com a Polícia Federal e o Instituto
Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
A idéia é aproveitar a tecnologia do Sipam para levar aos povos que
vivem longe dos centros urbanos - e que às vezes nem falam o português
- as orientações necessárias para o atendimento básico diante
de uma intoxicação ou envenenamento. As ligações para o Disque
Intoxicação não terão nenhum custo para os indígenas.
"Através dos telefones do Sipam, que ficam disponíveis em cada
aldeia, conseguimos estabelecer um link direto com os indígenas. Tem
um número que eles podem discar e cair direto em nossa central de
atendimento. Sem essa parceria, eles dificilmente teriam acesso a esse
serviço", disse Taís.
A fonoconferência realizada ontem é uma iniciativa inédita. Para tentar alcançar o maior número de pessoas, participaram agentes da
Fundação Nacional de Saúde (Funasa) que já trabalham nessas aldeias e indígenas das comunidades Wai Wai, de Roraima, e Igarapé Lobo,
do Amazonas. "A partir de agora, o que se espera é aumentar ainda mais
o número de atendimentos e que eles possam nos acionar e ter a
informação adequada diante de um caso de intoxicação,
levando em consideração as limitações que têm,", acrescentou a coordenadora do CIT.
O Centro de Informações Toxicológicas do Amazonas tem sede em Manaus
e atende gratuitamente ligações
de todo o país, mas sobretudo da Região Norte. Os atendimentos são feitos por farmacêuticos e outros profissionais da área de
medicina e enfermagem. Em todo o país, existem cerca de 35 centros
toxicológicos. O problema atinge sobretudo crianças de 0 a 5 anos e
adultos com idade entre 18 e 30 anos.
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