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28 de Fevereiro de 2008 - 18h21 - Última modificação em 28 de Fevereiro de 2008 - 18h21


Para especialista, profissionais do sexo devem ser priorizados em programas de combate à aids

Paula Laboissière
Repórter da Agência Brasil

 
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Elza Fiúza/ABr
Brasília - Responsável pela Unidade de Prevenção do Programa Nacional DST e Aids, Ivo Brito, concede entrevista durante encontro que discute recomendações que o Brasil levará às Nações Unidas em março
Brasília - Responsável pela Unidade de Prevenção do Programa Nacional DST e Aids, Ivo Brito, concede entrevista durante encontro que discute recomendações que o Brasil levará às Nações Unidas em março
Brasília - O segmento de prostitutas, travestis e transexuais é uma população praticamente invisível no Brasil. A avaliação é do coordenador da Unidade de Prevenção do Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde, Ivo Brito.

“[É invisível] Por ser estigmatizada e por não ter assegurados os seus direitos. Tudo isso torna esse grupo uma população de difícil acesso para os trabalhos e as ações de prevenção.”

Dados do Ministério da Saúde revelam que, no Brasil, a taxa de prevalência para contaminação pelo vírus HIV em prostitutas chega a 6,2% - dez vezes maior do que na população brasileira em geral, de 0,6%.

“Essa é a população que tem que ser priorizada para que a gente possa reverter o quadro de epidemia nesse segmento”, garantiu Brito.

Ele acredita que, para reverter o quadro, é preciso trabalhar questões como a violação de direitos humanos, além da violência e da visibilidade das profissionais do sexo.

“A estratégia envolve também os clientes, não apenas os parceiros e namorados. Para trabalhar a questão da prevenção tem que envolver essa triangulação: as meninas, os clientes que buscam esse tipo de serviço e os namorados.”

Ao participar hoje (28) do encerramento da primeira Consulta Nacional sobre Doenças Sexualmente Transmissíveis/Aids, Direitos Humanos e Prostituição, ele ressaltou que o evento visa “trazer à tona” elementos que possam esclarecer o cenário da prostituição no país.

“Para que a gente possa definir mais claramente estratégias para equacionar o problema com o HIV e com as DSTs [Doenças Sexualmente Transmissíveis]."

Ele espera que, após a etapa nacional da consulta, os resultados alcançados possam servir de orientação para que a condição dos processos em âmbito regional sejam revistos.

“Para que o debate se amplie para as outras regiões no que se refere à questão das vulnerabilidades para as pessoas que praticam a prostituição.”

Dentre os 47 requerimentos oficializados hoje – de um total de 108 identificados pelos grupos de trabalho presentes – o especialista destaca três pontos considerados de maior importância.

“O primeiro deles é considerar os contextos de vulnerabilidade dessa população como um fator importante para que a gente possa equacionar a epidemia [de HIV]. O segundo é que a gente possa ter uma agenda estruturada e bem definida que traga elementos operacionais para que a gente possa implementar ações junto à essa população."

"Outro aspecto é relacionado à questão da coordenação e do ativismo, de fortalecer a relação dos direitos de profissionalização e de visibilidade desses segmentos, para que a gente possa romper com as amarras que obscurecem e colocam em invisibilidade esse segmento da população", afirmou o especialista.


 


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