O
segmento de prostitutas, travestis e transexuais é uma
população praticamente invisível no Brasil. A avaliação
é do coordenador da Unidade de Prevenção
do Programa Nacional de DST/Aids do Ministério da Saúde, Ivo Brito.
“[É invisível] Por
ser estigmatizada e por não ter assegurados os seus direitos.
Tudo isso torna esse grupo uma população de difícil
acesso para os trabalhos e as ações de prevenção.”
Dados do Ministério da Saúde revelam que, no Brasil, a taxa de prevalência para contaminação
pelo vírus HIV em prostitutas chega a 6,2% - dez vezes maior
do que na população brasileira em geral, de 0,6%.
“Essa é
a população que tem que ser priorizada para que a gente
possa reverter o quadro de epidemia nesse segmento”, garantiu Brito.
Ele acredita que, para reverter o quadro, é preciso
trabalhar questões como a violação de direitos
humanos, além da violência e da visibilidade das
profissionais do sexo.
“A
estratégia envolve também os clientes, não
apenas os parceiros e namorados. Para trabalhar a questão da
prevenção tem que envolver essa triangulação:
as meninas, os clientes que buscam esse tipo de serviço e os
namorados.”
Ao
participar hoje (28) do encerramento da primeira Consulta Nacional
sobre Doenças Sexualmente Transmissíveis/Aids, Direitos
Humanos e Prostituição, ele ressaltou que o evento visa
“trazer à tona” elementos que possam esclarecer o cenário
da prostituição no país.
“Para
que a gente possa definir mais claramente estratégias para
equacionar o problema com o HIV e com as DSTs [Doenças Sexualmente Transmissíveis]."
Ele espera que, após a etapa nacional da consulta, os resultados
alcançados possam servir de orientação para que
a condição dos processos em âmbito regional sejam
revistos.
“Para
que o debate se amplie para as outras regiões no que se refere
à questão das vulnerabilidades para as pessoas que
praticam a prostituição.”
Dentre os
47 requerimentos oficializados hoje – de um total de 108
identificados pelos grupos de trabalho presentes – o especialista
destaca três pontos considerados de maior importância.
“O
primeiro deles é considerar os contextos de vulnerabilidade
dessa população como um fator importante para que a
gente possa equacionar a epidemia [de HIV]. O segundo é
que a gente possa ter uma agenda estruturada e bem definida que traga
elementos operacionais para que a gente possa implementar ações
junto à essa população."
"Outro aspecto é relacionado à questão da coordenação
e do ativismo, de fortalecer a relação dos direitos de
profissionalização e de visibilidade desses segmentos,
para que a gente possa romper com as amarras que obscurecem e colocam
em invisibilidade esse segmento da população", afirmou o especialista.