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28 de Fevereiro de 2008 - 16h52 -
Última modificação
em 28 de Fevereiro de 2008 - 16h52
Ativistas querem reconhecimento profissional para os que exercem prostituição
Paula Laboissière
Repórter da Agência Brasil
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Elza Fiúza/ABr
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Brasília - Leila Barreto, do Grupo de Mulheres Prostitutas do Pará, concede entrevista durante encontro que discute recomendações que o Brasil levará às Nações Unidas em março, sobre doenças sexualmente transmissíveis e aids, direitos humanos e prostituição
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Brasília - O
reconhecimento da prostituição como profissão
aparece como uma das reivindicações mais comuns entre mulheres, travestis e transexuais durante a primeira Consulta
Nacional sobre Doenças Sexualmente Transmissíveis/Aids,
Direitos Humanos e Prostituição, em Brasília.
O pedido foi reforçado
hoje (28), ao final do evento, por Leila Barreto, militante do Grupo
de Mulheres Prostitutas do Estado do Pará (Gempac).
“Todas
as recomendações são fundamentais, das mais
simples às mais complexas. Mas o reconhecimento da profissão
é a nossa maior recomendação.”
Após
três dias de encontro, foram oficializados 47 requerimentos –
de um total de 108 identificados pelos grupos de trabalho presentes.
O objetivo é produzir um documento de referência com
recomendações para reforçar a posição
brasileira com relação à promoção
de saúde para as pessoas que exercem a
prostituição. Esse documento será apresentada em março na reunião
do Conselho de Coordenação de Programas do Programa
Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/aids (Unaids), em
Genebra (Suíça).
Entre as
principais exigências levantadas, Leila cita o controle social,
a garantia da eqüidade e do acesso universal à saúde para quem trabalha com a prostituição.
Para ela, a realização da primeira consulta nacional representa um “marco” na vida de
quem exerce a atividade.
“Porque
são recomendações que vão poder
contribuir efetivamente na garantia dos direitos, principalmente
trabalhistas, que é uma luta antiga do movimento de
prostitutas. Finalmente, deixar bem claro para a sociedade a
importância do reconhecimento da prostituição
como um trabalho.”
Os
principais obstáculos apontados pela ativista são “o
próprio reflexo individual do estigma” e o “conservadorismo
e hipocrisias da sociedade”.
Para
Keila Simpson, presidente da Articulação Nacional de
Travestis e Transexuais, o encontro e a elaboração do documento são necessários para avançar em questões importantes para o grupo.
“É
um documento consistente que a nossa população de
prostitutas, travestis e transexuais que trabalham na prostituição
necessita, para que sejam efetivadas essas ações e para
que, a partir daqui, a gente tenha um olhar diferenciado para quem
faz a prostituição.”
Para as
travestis e transexuais, Keila aponta que a violência permanece
como o principal obstáculo a ser enfrentado o que impede o
grupo de “exercer a cidadania”.
“Ainda
hoje se mata travesti no Brasil. Não é admissível
que nós, travestis que estamos na prostituição,
sejamos assassinadas nas ruas das capitais e grandes cidades
brasileiras.”
Ela
ressalta que faltam políticas públicas, em nível
federal, que possibilitem maior integração e envolvimento em ações de combate à violência e discriminação sexual.
“Não
são só as travestis que sofrem. As prostitutas também
são violentadas pela polícia, por clientes, por
cafetões, por marginais”, afirmou.
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