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Brasília - No setor industrial, o impacto do aumento do
salário mínimo – que a partir de hoje (1º) passa a ser de R$ 415 – varia entre os
segmentos. As empresas com mão-de-obra menos qualificada terão
mais gastos, já as mais tradicionais não sofrerão
com o reajuste. A avaliação é do economista da Federação das
Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), André Rebelo,
que afirma que além da maioria dos trabalhadores da indústria
organizada receberem mais do que o salário mínimo, o
aumento do consumo das famílias não irá representar tantos ganhos para o setor, se comparado com o montante que a indústria movimenta anualmente.
“Dá
um certo alento, gera uma certa melhoria na demanda, mas estamos
falando de um aumento de R$ 20 bilhões por ano. A produção
industrial é de R$ 1 trilhão.”
Rebelo, que é
diretor do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da
Fiesp, afirma que o pagamento do salário mínimo está
restrito a atividades de trabalho menos qualificadas, como os
segmentos de móveis, madeira, calçados e confecções.
Ele aponta que esses são os setores que podem ter aumento de custos por causa do
reajuste do salário mínimo.
“A indústria
organizada paga salários superiores ao salário mínimo,
de tal forma que ela não tem aumento de custo com o salário
mínimo e se beneficia do aumento [do salário mínimo] pelo aumento do consumo das
famílias.”
“Alguns
especialistas dizem que o aumento do salário mínimo não
é o melhor instrumento de distribuição de renda,
mas dado que ele existe, é uma força que gera demanda
por produtos industriais também”, afirmou.
O especialista da Fiesp
explica que o aumento do consumo tem relação com o
ganho real dos assalariados. Apesar do aumento do salário ter
sido de 9,2%, o ganho real mínimo é proporcional ao
crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos atrás, que foi de 3,7%. Para Rebelo, como o
PIB vem crescendo, os próximos aumentos reais serão
maiores e, conseqüentemente, o aumento do consumo também.
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