| |
2 de Março de 2008 - 15h56 -
Última modificação
em 3 de Março de 2008 - 12h35
Quilombolas conciliam preservação cultural e ambiental no Amapá
Alex Rodrigues
Enviado especial
|
|
|
Wilson Dias/ABr
|
Macapá (AP) - O quilombola Joaquim Araújo da Paixão, com a imagem de São Joaquim, na igreja da Comunidade do Curiaú, onde cerca de 4 mil pessoas vivem da agricultura, da pesca, do cultivo de búfalos e do turismo
|
Macapá - A apenas doze quilômetros do centro da capital amapaense, Macapá, uma
comunidade quilombola preserva seus costumes e crenças enquanto luta para
conservar a Área de Proteção Ambiental (APA) em que vive. Importante sítio
histórico e ambiental, a APA de Curiaú é uma das principais atrações turísticas
da região, atraindo moradores do estado e turistas.
De Macapá, o acesso até a área de 21.676 hectares onde vivem os cerca de 4 mil
moradores da primeira comunidade quilombola reconhecida no estado é feito pela
Rodovia do Curiaú. Logo após a entrada da APA e as primeiras casas de
alvenaria, o visitante chega à igreja onde, anualmente, a comunidade celebra
uma das mais importantes festas religiosas do Amapá.
“Em agosto nós festejamos a Folia de São Joaquim. São nove noites de novena com
folia. Vem muita gente de fora”, diz Joaquim Araújo da Paixão, guardião da
chave da igreja.
Além das belezas naturais do local, o quilombola destaca a importância das
manifestações culturais preservadas pela comunidade. “Temos nosso batuque, a
ladainha e o marabaixo”, destaca o quilombola. O marabaixo é uma dança típica
que se tornou tão conhecida no estado que virou nome de bairro e de sorvete em
Macapá.
“A cultura do marabaixo, do batuque, é uma das manifestações da comunidade que
têm atraído um público muito grande ao Curiaú”, garante o secretário estadual
extraordinário de Políticas para os Afrodescendentes, Josivaldo da Silva
Libório.
Na comunidade, a Escola Estadual José Bonifácio, busca valorizar a cultura
afrodescendente, afirma a supervisora Sheila Cristina Cunha Maués.
“Temos projetos que valorizam o batuque, outro de resgate aos costumes locais.
Os alunos sabem dançar carimbó, batucar, cantar as cantigas dos santos. Em
outras escolas não há isso”.
Bem estruturada, a unidade de ensino conta com laboratório de informática,
biblioteca e uma quadra de esportes coberta e atende a crianças de
localidades próximas a Curiaú.
Com disponibilidade de professores, a direção da escola decidiu incluir aulas
de francês na grade escolar de 1ª à 4ª série. “O francês é por causa da nossa
fronteira com a Guiana Francesa. Isso vai ajudar muito às crianças no mercado
de trabalho”, comenta a professora Claudeci Ferreira da Silva Rodrigues.
A exemplo da escola, o posto de saúde do Curiaú também atende a pacientes de
outras comunidades. Além de oferecer exames preventivos, pré-natal e
planejamento familiar, a médica responsável faz cerca de 20 visitas
residenciais a cada semana. De segunda a quarta-feira, o atendimento é no
próprio posto que registra cerca de 15 consultas diárias.
“O pessoal daqui é bastante responsável em termos de saúde,
mas há um problema muito grande com o álcool. Temos vários casos de
alcoolismo”, comenta a enfermeira Rejane Santos da Cunha.
O quilombola Joaquim Araújo confirma os casos de alcoolismo. E diz que o número
de casos aumentou depois que os moradores começaram a abrir bares para atender
aos turistas.
|
|
|
LEIA MAIS SOBRE OS ASSUNTOS
-
VÍDEO
No Brasil existem cerca de 2 milhões de pessoas que vivem em 2,5 mil quilombos, a maioria em terras particulares. Pela primeria vez, terras da União foram repassadas para quilombolas
-
-
-
|
|