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3 de Março de 2008 - 08h49 - Última modificação em 3 de Março de 2008 - 12h52


Jovens de comunidades tradicionais pedem melhorias em educação, segurança e saúde

Yara Aquino
Repórter da Agência Brasil

 
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José Cruz/ABr
Brasília - Adalmir José da Silva fala à Agência Brasil durante a Consulta Nacional aos Povos e Comunidades Tradicionais, que terminou neste domingo e antecede a 1ª Conferência Nacional da Juventude Brasília - Adalmir José da Silva fala à Agência Brasil durante a Consulta Nacional aos Povos e Comunidades Tradicionais, que terminou neste domingo e antecede a 1ª Conferência Nacional da Juventude
Brasília - Após três dias de discussão, jovens de comunidades tradicionais como ciganos, índios, quilombolas e ribeirinhos construíram as demandas que pretendem levar à 1ª Conferência Nacional de Juventude, que será realizada de 27 a 30 de abril, em Brasília.

Muitas reivindicações de jovens de diversos grupos tradicionais giram em torno de temas em comum relacionados à educação, à saúde e ao combate à violência. Mas, em cada área, há necessidades específicas de acordo com diferenças regionais, costumes e crenças.
 
A educação é citada por representantes de quilombolas, de índios e de terreiros e religiões de matriz africana, por exemplo. Os indígenas querem mais escolas de ensino médio nas aldeias, como explica Júnior Nicário, indígena de Roraima.

“O ensino médio ainda é muito pouco nas áreas indígenas, muitos jovens ficam na comunidade sem fazer nada e poderiam estudar”, disse Nicário, um dos participantes da Consulta Nacional aos Povos e Comunidades Tradicionais, que terminou ontem (2).

Reformular o currículo e inserir temas sobre as comunidades tradicionais, além de cobrar que seja colocado em prática o ensino da história e cultura afro-brasileiras e africanas – cuja obrigatoriedade foi definida em lei de 2003 – estão entre as propostas dos representantes de terreiros e religiões de matriz africana.

Para os quilombolas, o ensino de história e cultura afro-brasileiras e africanas são insuficientes. “Queremos uma educação específica para os povos quilombolas a ser construída por especialistas da educação”, afirma Adalmir José, que vive em uma comunidade quilombola de Pernambuco.
 
Os jovens de comunidades tradicionais também querem políticas públicas de segurança para conter a violência que atinge a juventude brasileira. “Está acontecendo um verdadeiro extermínio contra a juventude negra, por ser a maioria dessa população que está inserida no contexto da carência econômica das favelas”, avaliou  Fábio Gomes, outro participante da consulta.

Um documento final será elaborado com as propostas apresentadas no evento e servirá como subsídio para as discussões da 1ª Conferência Nacional de Juventude.

A expectativa dos participantes é que as necessidades das comunidades tradicionais sejam ouvidas e atendidas. Mas, segundo o quilombola Adalmir José da Silva, há o receio de que em um ambiente mais amplo de discussões os interesses dos jovens urbanos prevaleçam.
 
Silva explica que as comunidades tradicionais têm mais dificuldade de mobilização porque vivem em localidades afastadas. De acordo com ele, poucos quilombos têm telefone e acesso à internet. “A zona urbana acaba, em alguns casos, sufocando quem vem da zona rural.”


 

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