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Manaus - Um grupo de pesquisadores do
Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) fez nesse domingo (2) a reintrodução de dois peixes-bois em seu habitat. Para os especialistas, o fato é um marco para a Amazônia e uma
tentativa de colocar em equilíbrio as populações dessa espécie que
podem chegar a viver 60 anos e a pesar 450 quilos, mas que por serem extremamente dóceis estão quase em extinção.
Segundo o pesquisador Fernando Rosas, os dois animais são machos e
cada um tem cerca de oito anos. "Ainda bem pequenos, eles ficaram
órfãos, provavelmente porque suas mães foram capturadas numa pesca
irregular. Depois disso, foram resgatados por agentes do Instituto
Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama)
e conduzidos à sede do Inpa em Manaus", conta Rosas.
Desde então, os pesquisadores tiveram todo o cuidado necessário com os peixes-bois, inclusive com a amamentação, que foi feita por
dois anos na mamadeira. "Há anos, o Inpa trabalha com a reabilitação de
peixes-bois, incluindo estudos fisiológicos, comportamentais e
nutricionais, e chegamos ao momento certo quanto ao
domínio sobre a biologia da reprodução desses animais. Acreditamos que
chegou a hora de começar a recolocar esses animais no ambiente
natural. É hora não só de criar peixe-boi em cativeiro, mas também, em um
futuro próximo, de repovoar algumas áreas da Amazônia em que a espécie
está em níveis críticos e baixos em termos populacionais", acrescenta Fernando Rosas.
É a primeira vez que animais dessa espécie voltam para as
águas dos rios amazônicos, depois de terem passado a infância em
cativeiro controlado pelos pesquisadores do Inpa. De Manaus, os peixes-bois foram levados em uma viagem de quase oito horas de barco -
acomodados em colchões umedecidos com água limpa - para o rio Cuieiras,
que fica a cerca de 60 quilômetros ao norte da capital amazonense.
Cada
um pesa atualmente cerca de 180 quilos e no local escolhido para serem soltos não há tradição de caça desse tipo de animal. Mesmo
assim, durante dois anos, os pesquisadores do Inpa fizeram um intenso
trabalho de reeducação ambiental e preparam a comunidade local para o
convívio com o animal.
"Ainda nos preocupa a existência da caça do peixe-boi. O animal
costuma ser apreciado na Amazônia pelos caboclos que o capturam para se
alimentar. Isso requer um estudo de reeducação ambiental
intenso. Não adianta soltar um peixe-boi se ele vai ser morto pouco
tempo depois", explica Rosas.
Já em Cuieiras, os animais ficarão abrigados por uma semana em um
tanque-rede, com o objetivo de promover sua completa adaptação ao local. Tudo
será monitorado pelos pesquisadores e só então os peixes-bois serão
verdadeiramente libertados. Em cada um deles
será colocado um radiotransmissor que vai ajudar os pesquisadores a
estudar o comportamento da espécie e, com isso, subsidiar as ações para
preservação do animal na Amazônia.
A preocupação com a sobrevivência do peixe-boi está relacionada ao
fato de a espécie ser presa fácil para pescadores que desconhecem os
períodos de reprodução e gestação desses animais e podem promover a caça
descontrolada. Além disso, a fêmea do peixe-boi só tem um
filhote de cada vez. O período entre uma gravidez e outra leva no
mínimo três anos e o período de amamentação dos filhotes é de dois anos.
"O mais importante agora será a colaboração dos comunitários porque
eles são a chave do sucesso desse projeto. A gente não pode correr
risco de que esse animal seja abatido. A educação ambiental está sendo
feita nessas comunidades, mas a população tem que se conscientizar de que
esses dois animais podem se aproximar de comunidades ou vilas, porque
eles sempre tiveram contato com seres humanos. Contudo, as pessoas que
cuidavam deles não tinham a menor intenção de prejudicá-los. O
manuseio para eles é uma coisa normal e por isso a colaboração
dessas pessoas é fundamental para a reintrodução", afirma.
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