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3 de Março de 2008 - 18h29 - Última modificação em 3 de Março de 2008 - 18h30


Envio de tropas da Venezuela à fronteira com a Colômbia é "ameaça ao continente", diz Sarney

Marcos Chagas
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - O senador e ex-presidente da República José Sarney (PMDB-AP) qualificou hoje (3) de "ameaça ao continente" a decisão do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, de enviar tropas para a fronteira com a Colômbia. Ao comentar a crise entre Colômbia, Equador e Venezuela, Sarney disse que o Brasil e os demais países sul-americanos não podem "admitir esse tipo de sentimento na América Latina". A tradição continental é resolver seus conflitos por meio pacífico, disse ele.

Sarney criticou a Venezuela que, segundo ele, estaria criando uma espécie de "corrida armamentista" na região. "São R$ 7,1 bilhões de gastos militares", afirmou.

A crise teve início sábado (1º), quando membros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) foram mortos pelo Exército colombiano em uma operação militar realizada em território equatoriano. A invasão da fronteira gerou atrito entre os dois países e protestos do presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que criticou o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, e decidiu enviar tropas para a região. Chávez determinou ainda o  fechamento da embaixada venezuelana em Bogotá.

O presidente do Equador, Rafael Correa, também reforçou a segurança na fronteira, determinou a retirada de seu embaixador de Bogotá e expulsou de Quito o representante colombiano.

Segundo Sarney, cabe ao Brasil comandar uma ação diplomática para evitar a generalização do conflito. Para ele, esse é um problema que deve ser resolvido pelos sul-americanos e, por isso, não cabe a convocação da Organização dos Estados Americanos (OEA) para mediar o conflito entre os três países.

O senador Cristóvam Buarque (PDT-DF) disse temer a entrada dos Estados Unidos em um possível conflito. De acordo com ele, a Colômbia invadiu o Equador, quando seu Exército foi lá e matou pessoas. "Isso provocou uma reação militar do Equador, que colocou tropas na fronteira. Do outro lado da Colômbia, a Venezuela é um país forte, armado, com conflitos latentes com os colombianos. A Colômbia, a meu ver, é um país que está isolado e com ameaças militares dos dois lados, mas meu maior medo é que os Estados Unidos entrem nisso. Essa é uma disputa entre latino-americanos."

O líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), pediu prudência aos países envolvidos: "Será que não é mais conveniente participar de um entendimento sob o comando da Organização dos Estados Americanos (OEA) para pacificar um continente que nunca foi à guerra neste século?"




 


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