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São Paulo - O secretário de Política Econômica, Bernard Appy, resumiu o que parece
ser um instrumento-chave para convencer os governos estaduais a aderir
à idéia da câmara de compensação, chamada de Fundo de Equalização de
Receitas (FER). “Nós queremos fazer a apropriação do imposto no estado de destino, mas
queremos que o imposto seja cobrado no estado de origem”.
O Fundo de Equalização de
Receitas pretende compensar os estados por perdas na arrecadação do Imposto Sobre
Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) durante a transição de oito
anos para a entrada em vigor da nova forma de cobrança do imposto.
Na Proposta de Emenda Constitucional da Reforma Tributária, enviada ao
Congresso em 28 de fevereiro, o governo propõe que o ICMS seja
integralmente arrecadado, apropriado, no mercado da venda final dos
produtos ao consumidor. Quando essa venda ocorrer num Estado diferente
daquele em que foi fabricado, 2% apenas serão reembolsados ao Estado de
origem.
“Nossa idéia original era fazer [a cobrança no] destino puro e uma
porcentagem do imposto ficar no estado de origem. Mas a gente chegou à
conclusão – e isso foi mudança na última semana, para você ver que a
gente aprende – de que com esse modelo iria haver uma discussão de
alíquotas; ia ser uma discussão de partilha: cada estado iria quer
colocar a maior alíquota possível nos produtos que ele exporta”, disse
Appy ao jurista e tributarista Yves Gandra Martins, em debate na sede da
Federação das Indústrias do Estado de São Paulo Fiesp), no dia 29 de
fevereiro.
“Incluímos na Proposta de Emenda Constitucional um dispositivo que
permite – não torna obrigatório – permite a adoção de um modelo de
cobrança no estado de origem, integral, ou seja, a alíquota é 18%, eu
cobro 18% no estado de origem e transfiro através de uma câmara de
compensação 16% para o estado de destino e os outros 2% para o estado de
origem. Essa câmara de compensação serve para fazer o ajuste só pelo
valor líquido, não precisamos fazer pelo bruto”, explicou o secretário.
Com essa proposta, o governo federal acena também aos governos estaduais
com um horizonte de aumento de arrecadação interna: “Com esse sistema eu
permito que o imposto seja cobrado de fato no estado de destino, mas eu
fecho uma brecha de sonegação importante que existe hoje [no estado de
origem], que é a saída de uma mercadoria como se fosse uma operação
interestadual, ou seja com uma tributação mais baixa, quando há a
permanência do produto dentro do próprio estado.
Isso acontece
hoje principalmente em vendas para micro e pequenas empresas, que têm
uma fiscalização muito deficiente. Nesse modelo da câmara de
compensação, o custo da cobrança e o risco da inadimplência ficam no
estado de origem, e esses 2% ficam para ressarcimento desse risco”,
disse Appy.
Na proposta enviada ao Congresso, o Senado determinaria quatro ou cinco
alíquotas para diferentes grupos de mercadorias e serviços, para todos
os estados. Tais grupos seriam definidos pelo Conselho Nacional de
Política Fazendária (Confaz). Essas alíquotas seriam aplicadas por todos
os governos dentro de seus territórios. Da porcentagem total dessas
alíquotas, 2% seriam sempre reservados e ressarcidos ao estado que
produziu a mercadoria quando ela fosse vendida em outro estado.
Segundo Appy, para que funcionem tanto a mudança no destino de
arrecadação quanto a câmara de compensação o governo aposta no uso da
nota fiscal eletrônica. O governo também acredita que é necessário pelo
menos um ano para implementar todo o processo.
Matéria alterada para corrigir informação
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