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Brasília - O 2º Plano Nacional de Políticas
para as Mulheres, que será lançado hoje (5) pelo
governo, não deve trazer avanços em relação
à legalização do aborto no Brasil, especialmente
porque 2008 é ano eleitoral. A avaliação é
da a secretária executiva da Rede Feminista de Saúde e
Sexualidade, Télia Negrão. “Há um risco de
que, se identificando com agendas mais avançadas, alguns
deputados possam perder bases religiosas e conservadoras”, afirma.
Ela
diz que a situação coloca o Brasil em uma posição
de atraso em relação ao aborto e lembra que, na 2ª
Conferência Nacional de
Políticas para as Mulheres, realizada em agosto do ano
passado, as mulheres reforçaram a necessidade de o governo ter
a iniciativa de enviar uma nova proposta ao Congresso Nacional.
“Estamos diante de uma situação
de impasse: o governo brasileiro reconhece que é um problema
de saúde pública que leva as mulheres à morte e
a seqüelas gravíssimas, no entanto, o governo não quer
ter a iniciativa”, afirma.
A necessidade de se discutir mudanças na
legislação sobre o aborto no Brasil foi uma das
conclusões da 1ª Conferência Nacional de Políticas
para as Mulheres, realizada em 2004, e constou do 1º Plano
Nacional de Políticas para as Mulheres, lançado no
mesmo ano. Depois disso, o governo federal formou uma comissão
integrada por membros do Executivo, da sociedade civil e do Legislativo para debater a questão.
O grupo elaborou um anteprojeto de lei para descriminalizar a prática do aborto no Brasil, que foi enviado em
2005 ao Congresso, mas a proposta não entrou em
tramitação.
A
coordenadora executiva da Rede de Direitos Humanos (Redeh), Schuma
Schumacher, e integrante do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher,
considera que, apesar de o projeto não ter sido aprovado, o
fato de o governo federal ter formado um grupo de trabalho e enviado
a proposta ao Congresso pode ser considerado um avanço.
“Foi uma proposta muito avançada, inovadora, que contou com
várias colaborações no meio jurídico,
científico, de outras redes, além das organizações
de mulheres”.
Para
ela, só haverá avanços quando o governo encarar
a descriminalização do aborto como questão de
saúde pública. “Haveria
espaço para enfrentar com mais seriedade esse debate se o
governo também tomasse para si essa [medida] como uma questão
importante, uma questão de saúde pública. Se
houver vontade política do governo, é possível a
gente avançar”, acredita.
Para a diretora do Centro Feminista
de Estudos e Assessoria (CFemea),
Guacira César de Oliveira, a elaboração do anteprojeto foi um passo importante, mas ainda falta avançar na
tramitação da proposta no Congresso Nacional.
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