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Brasília - O aumento da participação das mulheres
na política, uma das principais bandeiras da 2ª
Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres,
realizada em agosto do ano passado, está contemplada no 2º
Plano Nacional de Políticas para as Mulheres, lançado
hoje (5) no Palácio do Planalto. O plano tem 91 metas, com 56
prioridades e 394 ações distribuídas em 11 eixos
de atuação.
O novo plano prevê um aumento de 20% na representação
feminina nas Câmaras de Vereadores já nas eleições
municipais deste ano. Segundo a subsecretária
de articulação institucional da Secretaria Especial de
Políticas para Mulheres, Sônia Malheiros, isso
será feito por meio de estímulo à candidatura de
mulheres e da capacitação de mulheres candidatas.
“Vamos lançar campanhas que mobilizem as mulheres a
participar da política e estimular a votação
de homens e mulheres em mulheres para ocupar esses cargos”,
explica.
Outra meta do plano na área da participação
política é a alteração da lei de cotas, que
estabelece que cada partido ou coligação deve reservar
o mínimo de 30% e o máximo de 70% para candidaturas de
cada sexo nas eleições proporcionais. A lei, no entanto, não prevê sanção para o
partido que descumprir essas normas. O plano propõe a revisão da lei para que alguma forma de punição seja definida. “O que a gente teve nesses
últimos anos, desde a promulgação da lei, é
que os partidos não apresentam 30% das mulheres como
candidatas, e como não existe sanção nenhuma, a
lei perde eficácia”, afirma.
O plano também prevê a ampliação de 20% no número de
mulheres na Câmara dos Deputados, no Senado Federal e nas
Assembléias Legislativas, nas eleições de 2010,
além de aumentar o número de mulheres nos cargos de
direção do Poder Executivo.
A aplicação plena da Lei Maria da Penha, que cria
mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar
contra a mulher, também é uma das metas do novo plano.
Segundo a subsecretária, é preciso implementar medidas como a
instalação de juizados específicos para avaliar
os processos de violência contra a mulher, prevista na
legislação. Segundo ela, 48 juizados já foram
instalados no país.
O segundo plano não prevê ações
específicas em relação à
descriminalização do aborto no Brasil, mas propõe
uma articulação junto ao Congresso Nacional para que
seja revista a legislação punitiva em relação
ao aborto.
Como resultado do 1º Plano Nacional de Políticas para
Mulheres, lançado em 2004, foi formada uma comissão
tripartite, com a participação do governo federal, do
legislativo e da sociedade civil. O grupo enviou ao Congresso um
anteprojeto de lei pedindo a revisão da legislação
sobre o aborto, mas a proposta ainda não foi analisada pelos
parlamentares.
Para Sônia, a questão não deve avançar
este ano no Congresso Nacional, especialmente por ser um ano
eleitoral. “Como é um ano eleitoral, existe sempre a
retirada deste tema, a tendência é que nesse ano a
questão não avance muito”, avalia.
Na área da educação, além da
alfabetização de 3 milhões de mulheres, as metas
incluem a construção de 1.714 creches e pré-escolas,
a formação de 120 mil profissionais da educação
nas temáticas de gênero, raça/etnia e a ampliação
em 10% da freqüência de mulheres negras no ensino
superior. Na área da saúde, a meta é reduzir em
15% a mortalidade materna e disponibilizar métodos
anticoncepcionais em todos os serviços de saúde.
Também fazem parte das metas do segundo plano a ampliação
em 35% da participação das mulheres no Programa
Nacional de Financiamento da Agricultura Familiar (Pronaf),
o aumento em 30% do número de trabalhadoras domésticas
com carteira assinada; além da realização de 1,5 mil mutirões
do Programa Nacional de Documentação das Trabalhadoras
Rurais.
A subsecretária diz que ainda não há um
orçamento total previsto para o plano, pois o Orçamento
Geral da União ainda não foi analisado pelo Congresso
Nacional. Mas ela garante que todas as ações têm
recursos previstos. “Não é apenas um plano de intenção”,
afirma. Segundo Sônia, mesmo se houver cortes no orçamento, não deve
haver a retirada de ações, apenas cortes de recursos
para as metas previstas.
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