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8 de Março de 2008 - 12h33 - Última modificação em 8 de Março de 2008 - 13h51


Radialista destaca papel da comunicação na luta das mulheres

Ana Luiza Zenker
Repórter da Agência Brasil

 
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Marcello Casal Jr./ABr
Brasília - A radialista Mara Régia, apresentadora do programa feminino Viva Maria
Brasília - A radialista Mara Régia, apresentadora do programa feminino Viva Maria
Brasília - Uma caixa de ressonância. É assim que a radialista Mara Régia di Perna descreve o papel do programa Viva Maria, da Rádio Nacional AM de Brasília, durante a década de 1980. Em particular, na campanha do Lobby do Batom na Assembléia Nacional Constituinte, entre 1986 e 1988.

“Nosso direito vem, nosso direito vem, se não vem nosso direito o Brasil perde também” era a palavra de ordem que estava na boca das mulheres na entrega da Carta das Mulheres Brasileiras aos Constituintes e na abertura do Viva Maria, hoje veiculado na forma de programetes.

Mara Régia conta que o programa nasceu depois que ela voltou da Inglaterra e percebeu que era necessário um veículo para as mulheres. “O Viva Maria surgiu de uma necessidade de falar para as mulheres”, comenta, em entrevista à Agência Brasil.

Ela diz que havia, no movimento feminista, várias “marias” sensibilizadas pela luta em prol dos direitos das mulheres. “A comunicação serviu para colocar os microfones na rodoviária [de Brasília], a gente fazia o link de lá, recolhendo assinaturas, para que a gente pudesse ter a licença maternidade de 120 dias, engrossando o coro”, relata.

O programa também servia para reunir as mulheres em um auditório da Rádio Nacional a fim de discutir as estratégias da campanha na Constituinte e mobilizar as “marias”. “Não se podia ter todas as mulheres do mundo no Congresso para sensibilizar os constituintes, então o programa chamava as mulheres de Brasília para estar lá em momentos cruciais, como na votação da licença-paternidade”, afirma.

“Depois que foi aprovada a licença-maternidade, o falecido ex-senador Roberto Campos disse que foi ótimo que essa lei tivesse passado, porque só as velhotas iriam ter mercado de trabalho. Ele afirmava que ninguém mais, depois dessa lei, ia querer empregar mulher”, lembra Mara Régia.

Ela lembra a reação: “fomos à rodoviária do Plano Piloto com um grupo de margaridas, que eram mulheres garis, que varrem a rua, e fizemos uma instalação de um boneco que representava o Roberto Campos; elas fizeram picadinho, porque ele ousou dizer essa impropriedade de que só as mulheres na menopausa ou as balzaquianas teriam mercado de trabalho”.

“Agora, 20 anos depois, está-se pensando inclusive em ampliar a licença-maternidade”, observa. A radialista avalia que foi indispensável a luta das mulheres durante a Constituinte para conseguir direitos que garantissem a igualdade entre homens e mulheres.

“Muitas das que aí estão, meninas na faixa de 20 e poucos anos, não imaginam que, se elas puderam estar com a mãe durante 120 dias, foi graças à luta dessas marias”, conclui.


 


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