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Marcello Casal Jr./ABr
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Brasília - A radialista Mara Régia, apresentadora do programa feminino Viva Maria
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Brasília - Uma caixa de
ressonância. É assim que a radialista Mara Régia
di Perna descreve o papel do programa Viva Maria, da Rádio
Nacional AM de Brasília, durante a década de 1980.
Em particular, na campanha do Lobby
do Batom na Assembléia Nacional Constituinte, entre 1986 e
1988.
“Nosso direito vem, nosso direito vem, se não
vem nosso direito o Brasil perde também” era a palavra de
ordem que estava na boca das mulheres na entrega da Carta das
Mulheres Brasileiras aos Constituintes e na abertura do Viva
Maria, hoje veiculado na forma de programetes.
Mara Régia
conta que o programa nasceu depois que ela voltou da Inglaterra e
percebeu que era necessário um veículo para as
mulheres. “O Viva Maria surgiu de uma necessidade de falar
para as mulheres”, comenta, em entrevista à Agência
Brasil.
Ela diz que havia, no movimento feminista, várias
“marias” sensibilizadas pela luta em prol dos direitos das
mulheres. “A comunicação serviu para colocar os
microfones na rodoviária [de Brasília], a gente
fazia o link de lá, recolhendo assinaturas, para que a
gente pudesse ter a licença maternidade de 120 dias,
engrossando o coro”, relata.
O programa também servia
para reunir as mulheres em um auditório da Rádio
Nacional a fim de discutir as estratégias da campanha na
Constituinte e mobilizar as “marias”. “Não se podia ter
todas as mulheres do mundo no Congresso para sensibilizar os
constituintes, então o programa chamava as mulheres de
Brasília para estar lá em momentos cruciais, como na
votação da licença-paternidade”,
afirma.
“Depois que foi aprovada a licença-maternidade,
o falecido ex-senador Roberto Campos disse que foi ótimo que
essa lei tivesse passado, porque só as velhotas iriam ter
mercado de trabalho. Ele afirmava que ninguém mais, depois
dessa lei, ia querer empregar mulher”, lembra Mara Régia.
Ela
lembra a reação: “fomos à rodoviária do
Plano Piloto com um grupo de margaridas, que eram mulheres garis, que
varrem a rua, e fizemos uma instalação de um boneco que
representava o Roberto Campos; elas fizeram picadinho, porque ele
ousou dizer essa impropriedade de que só as mulheres na
menopausa ou as balzaquianas teriam mercado de trabalho”.
“Agora,
20 anos depois, está-se pensando inclusive em ampliar a
licença-maternidade”, observa. A radialista avalia que foi
indispensável a luta das mulheres durante a Constituinte para
conseguir direitos que garantissem a igualdade entre homens e
mulheres.
“Muitas das que aí estão, meninas na
faixa de 20 e poucos anos, não imaginam que, se elas puderam
estar com a mãe durante 120 dias, foi graças à
luta dessas marias”, conclui.
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