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5 de Março de 2008 - 11h05 - Última modificação em 6 de Março de 2008 - 11h36


Ex-diretor da ONG Unitrabalho nega ter recebido recursos do governo

Priscilla Mazenotti
Repórter da Agência Brasil

 
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Brasília - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Organizações Não-Governamentais (ONGs) ouve o depoimento do ex-diretor da Unitrabalho, Jorge Lorenzetti. Ele chefiou o núcleo de informações e inteligência da campanha à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e foi acusado de envolvimento na compra de um dossiê contra políticos do PSDB durante a campanha eleitoral, em 2006.

Ao iniciar o depoimento, ele disse que a Unitrabalho “foi vítima de uma denúncia falsa, vazia”. Em setembro de 2006, a ONG Contas Abertas divulgou levantamento concluindo que a Unitrabalho recebeu  recursos do Ministério do Trabalho e Emprego um dia antes da prisão de quatro pessoas acusadas de montagem e negociação do dossiê.

O então ministro do Trabalho, Luiz Marinho, confirmou em entrevista coletiva o repasse de R$ 3 milhões à entidade, mas descartou qualquer possibilidade de ligação do pagamento com o caso do dossiê.

No depoimento de hoje, Lorenzetti afirmou que entre 1996 e 1998 participou da implantação da ONG e de 2001 a 2005 passou a ocupar a área de assuntos internacionais da entidade. “Não fiz nenhuma gestão em relação a projetos específicos da Unitrabalho com o governo federal. Não fiz uma reunião e não mandei nenhum e-mail. Estava cuidando da área internacional”.

“Que eu me lembre, nesse período não foi assinado nenhum convênio de cessão de recursos para a Unitrabalho. Não tive nenhuma participação em projetos da área nacional no atual governo. Nenhum tipo de participação”

Lorenzetti disse também que foi vítima de pre-julgamento e de denúncias difamatórias no caso do dossiê. Ele lembrou, porém, que ficou provado ser uma denúncia falsa. Segundo ele, o Ministério Público de São Paulo abriu inquérito e arquivou, por unanimidade, por não ter constatado irregularidades. “Foi a comprovação efetiva de que a Unitrabalho foi vitima”.

Diante de pergunta do relator da comissão, o senador Inácio Arruda (PCdoB-CE), sobre se ele conhecia Osvaldo Bargas, um dos acusados do dossiê, Lorenzetti disse que sim, mas que isso não significa que esteja envolvido no caso. “Essa ilação é um verdadeiro absurdo. É revoltante".

Osvaldo Bargas é ex-secretário do Ministério do Trabalho. Responsável pelo capítulo de trabalho e emprego do programa de governo da campanha à reeleição de Lula. Ele e Jorge Lorenzetti teriam participado de negociações com a revista Época para a compra do dossiê. Foi expulso do partido após o episódio.

A matéria foi alterada para acréscimo de informações.
 


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