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Brasília - A Comissão Parlamentar de Inquérito
(CPI) das Organizações Não-Governamentais (ONGs)
ouve o depoimento do ex-diretor da Unitrabalho, Jorge Lorenzetti. Ele
chefiou o núcleo de informações e inteligência
da campanha à reeleição do presidente Luiz
Inácio Lula da Silva, e foi acusado de envolvimento na
compra de um dossiê contra políticos do PSDB durante a campanha eleitoral, em 2006.
Ao iniciar o
depoimento, ele disse que a Unitrabalho “foi vítima de uma denúncia
falsa, vazia”. Em setembro de 2006, a ONG Contas Abertas
divulgou levantamento concluindo que a Unitrabalho recebeu recursos do Ministério
do Trabalho e Emprego um dia antes da prisão de quatro pessoas acusadas
de montagem e negociação do dossiê.
O então ministro do Trabalho, Luiz Marinho, confirmou em entrevista coletiva o repasse de R$ 3 milhões à entidade, mas descartou qualquer possibilidade de ligação do pagamento com o caso do dossiê.
No depoimento de hoje, Lorenzetti afirmou que entre 1996 e 1998 participou
da implantação da ONG e de 2001 a 2005 passou a ocupar
a área de assuntos internacionais da entidade. “Não
fiz nenhuma gestão em relação a projetos
específicos da Unitrabalho com o governo federal. Não
fiz uma reunião e não mandei nenhum e-mail.
Estava cuidando da área internacional”.
“Que eu me lembre, nesse período não
foi assinado nenhum convênio de cessão de recursos para
a Unitrabalho. Não tive nenhuma participação em
projetos da área nacional no atual governo. Nenhum tipo de
participação”
Lorenzetti disse também que foi vítima
de pre-julgamento e de denúncias difamatórias no caso
do dossiê. Ele lembrou, porém, que ficou provado ser
uma denúncia falsa. Segundo ele, o Ministério Público de São Paulo abriu
inquérito e arquivou, por unanimidade, por não ter constatado
irregularidades. “Foi a comprovação efetiva de que a
Unitrabalho foi vitima”.
Diante de pergunta do relator da comissão, o senador Inácio Arruda (PCdoB-CE), sobre se ele conhecia Osvaldo Bargas, um dos acusados do dossiê, Lorenzetti disse que sim, mas que isso não significa que esteja envolvido no caso. “Essa ilação
é um verdadeiro absurdo. É revoltante". Osvaldo Bargas é ex-secretário do Ministério do Trabalho. Responsável
pelo capítulo de trabalho e emprego do programa de governo da campanha
à reeleição de Lula. Ele e Jorge Lorenzetti teriam participado de
negociações com a revista Época para a compra do dossiê. Foi expulso do
partido após o episódio.
A matéria foi alterada para acréscimo de informações.
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