|
Brasília - O ex-dirigente da
Fundação Interuniversitária de Estudos e
Pesquisas sobre o Trabalho (Unitrabalho) Jorge Lorenzetti se negou
hoje (5) a assinar um documento autorizando a quebra de seus sigilos
bancário e fiscal dos últimos cinco anos. O pedido foi
feito pelo senador Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM) durante
depoimento de Lorenzetti à CPI das ONGs.
“Não vou
assinar o seu pedido porque ele já foi atendido pelo Coaf
[Conselho de Controle das Atividades Financeiras, do Ministério
da Fazenda], Polícia Federal e na CPI dos Sanguessugas.
Todo o meu sigilo já foi quebrado e ninguém encontrou
nada lá”, disse.
Por quase quatro horas,
Lorenzetti deu explicações sobre a aplicação
de repasse de cerca de R$ 18 milhões do governo à
Unitrabalho, desde 2003, e de outros R$ 35 milhões à
Nova Amafrutas, uma reunião de cooperativas de agricultores da
qual ele também foi dirigente. Jorge Lorenzetti foi
investigado pela CPI dos Sanguessugas [que investigou uso de
emendas parlamentares para compra de ambulâncias em licitações
fraudadas] e pela Polícia Federal, quando da apuração
da origem dos recursos do PT que supostamente serviriam para pagar um
dossiê contra políticos do PSDB, na última
campanha presidencial.
Os senadores Sibá Machado (PT-AC) e
Inácio Arruda (PCdoB-CE), relator da CPI, defenderam
Lorenzetti quando Arthur Virgílio pediu a assinatura do
documento.
“Ele não é acusado de nada, é
testemunha. Qualquer assunto que for feridas do passado e que não
foi resolvido não é objeto desta comissão. Fica
o constrangimento ao depoente, que está aqui para esclarecer
sobre a Unitrabalho e a Nova Amafrutas”, afirmou Sibá
Machado.
Os senadores da base aliada concordaram em pedir cópias
dos documentos ao Coaf e à Polícia Federal, contendo a
análise das quebras dos sigilos.
|