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Brasília - Apesar
de a Constituição Federal de 1988 definir
que homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações,
esse princípio ainda está muito longe de ser alcançado,
avalia a coordenadora-geral
do Instituto Feminista para a Democracia (SOS Corpo), a socióloga
Maria Betânia Ávila.
“A
gente tem uma igualdade formal, algumas coisa mudaram, mas as
mulheres ainda são profundamente discriminadas e desiguais no
mercado de trabalho”, ressalta. A socióloga
defende que, na prática, também é preciso
avançar nas áreas de combate à violência
contra a mulher e saúde.
Para ela, houve conquistas importantes no que se refere à criação de mecanismos legais para combater a violência, "mas
ela ainda é uma realidade muito cruel para as mulheres no
país”. Ela acrescenta que “as mulheres ainda têm
muita dificuldade de acesso aos serviços de saúde no
cotidiano e isso é uma marca da desigualdade”.
A
sócia fundadora do Centro Feminista de Estudos e Assessoria
(Cfemea) Gilda Cabral, concorda que, em termos legais, foram obtidos
avanços importantes, especialmente na campanha em defesa dos
direitos da mulheres durante a Assembléia Nacional
Constituinte, entre 1986 e 1988. “Na lei já temos muitos
direitos, precisamos é conseguir esses direitos na vida, para
acabar com a discriminação e as diferenças que
ainda há”, afirmou, em entrevista à Agência
Brasil.
Gilda
Cabral diz que uma das poucas questões em que ainda não
há nem mesmo legislação é a legalização
do aborto. “Fora esse aspecto, em que ainda há uma mistura
de estado laico com a igreja, crenças religiosas, que não
permitem à mulher essa liberdade, você tem grandes
avanços, mas a sociedade e os governos não têm
ainda as políticas públicas e os equipamentos
necessários para garantir essa igualdade.”
A diretora
da organização não-governamental (ONG)
Cidadania, Estudo, Pesquisa, Informação e Ação
(Cepia), Jaqueline Pitanguy, lembra que, na década de 1980,
quando foi aprovada a nova Constituição, as conquistas
em termos de direitos da mulher colocaram o Brasil em posição
de vanguarda.
De acordo com a diretora, essa posição
permitiu ao Brasil defender propostas avançadas nas diversas
conferências realizadas pelas Nações Unidas na
década de 1990, como a de Direitos Humanos em Viena (Áustria),
em 1993, a de População e Desenvolvimento no Cairo
(Egito), em 1994, e a de Direitos da Mulher, em Pequim (China), em
1995.
“Em todas essas conferências o Brasil teve uma
posição muito avançada, foi inclusive uma
referência não só para países da América
Latina, mas para vários outros países, porque lá
as delegações oficiais, governamentais, podiam apoiar
propostas avançadas, pois nós já tínhamos
de uma certa forma feito o dever de casa aqui em 1988”,
afirma.
Para Jaqueline Pitanguy, o Brasil continuou avançando
nos últimos 20 anos, mas de forma desigual. “Nós não
avançamos da mesma forma em todas as áreas, mesmo
porque as pressões são muito diferentes; por exemplo,
acredito que no campo da saúde reprodutiva nós não
avançamos tanto quanto deveríamos.”
Nessa
área, ela diz que falta mais esclarecimento sobre a
contracepção de emergência, a esterilização
como um direito da mulher e até mesmo o aborto.
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