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6 de Março de 2008 - 13h10 - Última modificação em 6 de Março de 2008 - 13h58


Melhor distribuição de chuvas deve levar à safra recorde de grãos, explica Stephanes

Paula Laboissière
Repórter da Agência Brasil

 
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Marcello Casal JR/ABr
Brasilia - O  ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, divulga os resultados da  6ª Pesquisa da Safra de Grãos 2007-2008, feita com produtores, cooperativas e sindicatos
Brasilia - O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, divulga os resultados da 6ª Pesquisa da Safra de Grãos 2007-2008, feita com produtores, cooperativas e sindicatos
Brasília - As chuvas, ao contrário do ano passado, deixaram de ser problema para a safra de grãos no Brasil neste início de ano. A melhor distribuição pluviométrica em todas as regiões deve levar à maior safra de grãos da história do país – 139,3 milhões de toneladas. A informação foi divulgada hoje (6) pelo ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Reinhold Stephanes.

“Acho que chegamos ao limite [da produtividade]. A safra já está sendo colhida, as várias produções já cresceram e se desenvolveram. Embora o clima tenha se mostrado seco em algumas áreas, choveu na hora exata e isso foi muito bom.”

O resultado positivo é parte do sexto levantamento nacional do ciclo 2007/2008. A produção no período deverá ser 5,8% maior que a colheita anterior – 131,7 milhões de toneladas. De acordo com o estudo, a soja aparece como o produto de maior destaque na produção, com 59,7 milhões de toneladas. Em seguida está a produção de milho total, com 55,3 milhões de toneladas.

Já o feijão 1ª safra, se comparado à produção de fevereiro, registrou queda de 3,6%, com um total de 1,35 milhão de toneladas. O alimento foi o item da cesta básica que teve maior alta entre dezembro de 2006 e janeiro de 2008 – na maior parte do país, o produto subiu mais de 100%. Stephanes destaca que o problema das secas e da estiagem voltou a interferir na produção do feijão.

“Por isso que os preços caíram pouco mais de 25% no período. Esperávamos que caísse mais, mas como tivemos uma queda, o preço ainda se manteve alto. Hoje, deve estar em torno de R$ 140 ou R$ 150 a saca, conforme a localidade. Mas, com a segunda safra que está sendo plantada agora e pelo vigor do plantio, a gente espera que em abril os preços efetivamente retornem ao patamar, possivelmente abaixo dos R$ 100. Vamos depender do clima no período.”

Em relação à área cultivada, o plantio total ocupa cerca de 46,7 milhões de hectares – 1,2% maior que área referente ao período 2006/2007. As lavouras de soja foram responsáveis pelo maior aumento, com 1,6% a mais de área, passando de 9,49 milhões de hectares para 9,64 milhões. Já o feijão 1ª safra registrou queda na área cultivada de 14,3% (de 1,56 milhão de hectares para 1,34 milhão).

“Hoje, normalmente, os avanços de área estão se dando na pastagem. Na produção de soja, estamos praticamente com as áreas estabilizadas e apenas com ganhos de produtividade. Tivemos um pequeno aumento na área do milho em dois estados – Mato Grosso e Paraná – mas avançamos em cima da pecuária, do algodão ou da soja”, disse o ministro.

Para Stephanes, o cenário para a próxima safra se mantém otimista e com “demanda aquecida”, sobretudo para a exportação.

“Aquilo que historicamente vinha acontecendo – os preços dos produtos agrícolas caíam e puxavam a inflação para baixo em relação aos demais produtos e serviços – aparentemente está se invertendo. Hoje, o mundo que era de oferta de produtos agrícolas passa a ser um mundo de demanda por produtos agrícolas. É aí que o Brasil e o produtor se situam em condições melhores hoje do que no passado e com perspectivas futuras muito boas.”

O levantamento foi realizado pelo Ministério da Agricultura, em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e com a colaboração do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados foram colhidos entre os dias 18 e 22 de fevereiro com a participação de cooperativas, órgãos públicos e privados, agentes financeiros e produtores dos principais estados do país.

O IBGE também divulgou hoje, no Rio de Janeiro, a estimativa para a produção agrícola nacional neste ano, de 139,6 milhões de toneladas, 5,1% maior que a safra obtida em 2007 (132,9 milhões de toneladas). Segundo o diretor de Logística e Gestão Empresarial da Conab, Sílvio Porto, as duas instituições têm trabalhado para diminuir as diferenças entre as projeções para a safra de grãos. "O IBGE e a Conab têm estreitado o diálogo. Houve uma compatibilização de dados e isso é muito bom."


 


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