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Brasília - Representantes de
operadoras de telefonia fixa e móvel informaram hoje (6) que
as empresas realizaram, conjuntamente, cerca de 409 mil
interceptações telefônicas determinadas por ordem
judicial em 2007, o que representa 0,23% de todos os telefones fixos
e celulares do país.
Esses números,
segundo o presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito
(CPI) das Escutas Telefônicas Clandestinas da Câmara,
deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ),"demonstram que as escutas
telefônicas, mesmo autorizadas judicialmente, são
realizadas de maneira indiscriminada".
Segundo dados citados
pelo relator da CPI, deputado Nelson Pellegrino (PT-BA), somente a
TIM foi responsável pela interceptação de 235
mil telefones no ano passado, atendendo a decisões judiciais,
seguida da Vivo, que realizou 72.376 escutas legais. A BrasilTelecom,
a Oi e a Claro foram responsáveis,
cada uma, por cerca de 20 mil escutas autorizadas judicialmente
durante o ano de 2007.
Outro dado que chamou a
atenção de Marcelo Itagiba é que os
representantes das companhias telefônicas informaram ter havido
um aumento de 10% ao ano nos pedidos de interceptação
telefônica.
"Isso demonstra a
banalização da escuta, que deveria ser uma medida
excepcional, e não regra", avaliou o presidente da CPI.
O secretário-geral
da espanhola Telefónica (controla a Vivo com a Portugal
Telecom), Gustavo Fleichman, informou aos membros da CPI que a
empresa detectou 26 escutas clandestinas em 2007, em São Paulo, e
que, em todas as ocasiões, a operadora acionou a polícia
paulista para investigar os crimes.
Os grampos ilegais são
outra preocupação da CPI, assim como o vazamento de
grampos legais para empresas do meio de
comunicação.
Outra das preocupações
da comissão - a segurança do sigilo da escuta
telefônica - foi confirmada pelo representante da Vivo Diogo
Rio Neves, gerente de segurança da empresa.
Segundo ele, a empresa
não aceita ordens judiciais emitidas por meio de e-mails,
"pois não há como verificar a
autenticidade do pedido". A empresa só atende pedidos de
escutas feitos por varas criminais - não atendendo varas
cíveis nem trabalhistas.
A diretora Jurídica
da Claro, Tula Peters, disse que a empresa tem um setor específico
para executar as determinações judiciais de
interceptação telefônica, e que funcionários
do setor são treinados para evitar o vazamento
de escutas.
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