|
Brasília - A
estimativa recorde para a safra de grãos no início
deste ano – 139,3 milhões de toneladas – tranqüiliza
o produtor brasileiro em relação aos preços dos produtos e
à colocação no mercado. A avaliação
é do diretor de Logística e Gestão Empresarial
da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Sílvio Porto.
A estimativa, divulgada hoje pelo Ministério de Agricultura,
Pecuária e Abastecimento (Mapa) é 5,8% maior que a
safra anterior, de 131,7 toneladas.
“O
impacto, hoje, de mais 3 milhões de toneladas para esta safra,
na verdade, só traz tranqüilidade ao nosso quadro de
suprimento. Em relação à preço, não
temos impactos negativos. Os preços, à exceção
do feijão, estão estabilizados.”
Porto
lembrou que os preços dos produtos agrícolas estão
sendo “puxados” pelo mercado internacional e que devem continuar
caindo, sobretudo a partir de abril – quando começa a 2ª
safra de alimentos, como o feijão.
Dentre as
culturas que mais preocupam a Conab, ele destacou apenas a “safrinha”
(segunda safra) de milho no estado do Paraná, que pode não atingir as
expectativas por conta dos riscos decorrentes de mudanças
climáticas na região.
“Não
temos mais nenhum problema em relação à
consolidação desse número [139,3 milhões
de toneladas]. Podemos ainda ter algum ajuste nos outros estados,
levando a um número um pouco maior do que o anunciado
hoje.”
Porto
destacou também que a Conab considera "tranqüilo" o cenário de oferta, demanda e estoque no
Brasil. “Inclusive
no milho, se consolidar essa safra projetada de 55 milhões de
toneladas, o que permite ao Brasil exportar o mesmo volume do ano
passado, próximo a 11 milhões de toneladas, e abastecer
o nosso mercado interno, que está muito aquecido em função
do crescimento do setor de aves e suínos [cuja alimentação é à base do produto].”
O diretor creditou à tecnologia e à chuva o fato de as projeções para a
safra terem crescido diante da menor expansão das áreas
plantadas (aumento de 1,2% em relação ao período
2006/2007).
“O uso
de tecnologia, principalmente se olharmos o número de adubos
que foram comercializados no ano passado, e também o regime de
chuvas, mesmo na região Sul, onde houve chuvas mais escassas [contribuíram para aumentar as projeções] .
Choveu no momento certo.” O IBGE também divulgou hoje, no Rio de Janeiro, a estimativa para a produção
agrícola nacional
neste ano, de 139,6 milhões
de toneladas, 5,1% maior que a safra obtida em 2007 (132,9
milhões de toneladas). Segundo Sílvio Porto, as duas instituições têm trabalhado
para diminuir as diferenças entre as projeções para a safra de grãos.
"O IBGE e a Conab têm estreitado o diálogo. Houve uma compatibilização
de dados e isso é muito bom".
|