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Antonio Cruz/ABr
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Brasília - A diarista Maria Luzinete de Souza trabalha de segunda a sábado, em seis casas diferentes. De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), 51,7% das mulheres têm empregos vulneráveis, ou seja, trabalham por conta própria
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Brasília - A
diarista Maria Luzinete de Souza trabalha de segunda a sábado,
em seis casas diferentes. Embora não tenha os benefícios
de quem trabalha com carteira assinada, ela optou por trabalhar como
autônoma por acreditar que a renda seja maior do que em um
emprego fixo. Mesmo assim, a diarista gostaria de ter uma colocação
formal no mercado de trabalho.
“Eu
gostaria de ter carteira assinada, porque vai me dar todas as
garantias para o final da minha velhice, vou ter uma aposentadoria,
ainda que não seja uma aposentadoria decente, que ninguém
tem aposentadoria digna nesse país, mas eu gostaria porque vai
me dar uma certa garantia no final da minha velhice”, avalia.
Maria
Luzinete não é exceção no mercado de
trabalho atual. De acordo com a Organização
Internacional do Trabalho (OIT), 51,7% das mulheres têm empregos vulneráveis, ou seja, trabalham por conta
própria ou são trabalhadoras auxiliares ou familiares.
O
número é menor do que o registrado em 1997, quando o
total de mulheres com empregos vulneráveis era de 56,1%. Mas a
vulnerabilidade continua afetando mais as mulheres do que os homens: no
total, 48,7% dos homens não são trabalhadores
assalariados.
A
situação é pior nos países mais pobres.
Na África Subsaariana, o percentual de mulheres com empregos
vulneráveis é de 81,7%, e na Ásia Meridional, de 84,2%.
Os
dados fazem parte da pesquisa Tendências Mundiais do Emprego
das Mulheres, da OIT, divulgada por ocasião do Dia
Internacional da Mulher, que será comemorado amanhã (8).
De
acordo com a coordenadora da área de Igualdade de Gênero
e Raça da OIT, Solange Sanches, o Brasil mostra tendência
relevante para o aumento do número de empregos com carteira
assinada.
“Para as mulheres, esse é um tema extremamente
importante, porque a maior profissão feminina no país
continua sendo a das trabalhadoras domésticas, cujo percentual com carteira assinada mal chega aos 30%”, afirma.
Segundo
ela, a pesquisa demonstra a importância das mulheres como
agentes econômicos e atores sociais na economia e no bem-estar
das famílias. “O trabalho decente para as mulheres não
é só uma questão de justiça, mas é
uma medida inteligente porque passa a incluir na sociedade todo
o potencial que existe nas mulheres”, argumenta.
Para
a secretária nacional sobre Mulher Trabalhadora da Central
Única dos Trabalhadores (CUT), Rosane
da Silva, os dados da OIT são verdadeiros e têm muita
similaridade com a realidade brasileira. Ela lembra que, no país,
as mulheres também têm participado mais do mercado de
trabalho formal, mas isso não significa que estejam sendo mais
valorizadas.
“As
mulheres estão entrando no mercado de trabalho, mas elas estão
entrando nos setores mais precarizados”, afirma, lembrando que a
participação é mais forte nos setores de serviço
e comércio, onde as jornadas de trabalho são maiores e
os salários mais baixos.
Além
da diferença salarial, que segundo ela é de 30% em
relação aos homens, Silva cita como obstáculos
para que a mulher seja mais valorizada a intensificação
do ritmo de trabalho, a cobrança maior das empresas e o
aumento da rotatividade.
“A rotatividade tem crescido muito, e
somos nós, mulheres, que sofremos mais, porque somos nós
que engravidamos, ficamos afastadas do trabalho e isso acaba afetando
para a entrada no mercado”, ressalta.
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