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Brasília - Nas cidades
rondonienses de Machadinho D'Oeste e Cujubim, a aproximadamente 400
quilômetros da capital Porto Velho, os governos federal e
estadual conduzem operações paralelas de fiscalização
em madeireiras e serrarias locais. A informação foi
confirmada hoje (7) à Agência Brasil pela
superintendente substituta do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e
dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) em Rondônia,
Nanci Silva, uma das coordenadoras da Operação Arco de
Fogo.
“Quando eles [equipe do governo de Rondônia]
ficaram sabendo que chegaríamos às cidades, também
mandaram gente para lá”, afirmou Silva. “Tentamos fazer
gestão compartilhada com o governo do estado, mas nesta região
houve um rompimento com a decisão dele de não
participar das operações”, acrescentou.
A operação estadual é
apresentada com destaque no
portal oficial do governo de Rondônia. Matéria
informa que equipes da Secretaria de Estado do Desenvolvimento
Ambiental (Sedam), do Batalhão Ambiental (BPA) e da Delegacia
Especializada Contra Crimes ao Meio Ambiente (Deccma) apreenderam 8
mil metros cúbicos de madeiras e aplicaram R$ 6,5 milhões
em multas em Machadinho D'Oeste e Cujubim.
Contactada pela Agência Brasil, a
assessoria de imprensa do governo de Rondônia disse que a
fiscalização estadual nos municípios teve início
há 15 dias e que o governo defende o cumprimento da Lei, não
sendo contrário a nenhum tipo de combate ao desmatamento
ilegal. Mas não concorda, segundo a assessoria, com que
madeireiros e agricultores sejam tratados como criminosos. O
governador Ivo Cassol se encontrava em Corumbiara, no extremo sul do
estado, município sem sinal de telefone celular.
Dificuldade de diálogo entre o governo
federal e o de Rondônia em relação a temas
ambientais já tinha sido evidenciada
em janeiro, quando a Ministra do Meio Ambiente, Marina Silva,
definiu Cassol como “o governador com quem nós temos mais
dificuldades de trabalhar nas ações de combate ao
desmatamento e combate ao uso ilegal das áreas protegidas;
tanto as áreas federais quanto as áreas estaduais”.
A Operação Arco de Fogo, conduzida
pelos fiscais federais, inciou sua atuação em Rondônia
no última segunda-feira (3) e, conforme informou a
superintendência do Ibama, os técnicos estão
finalizando a medição de material encontrado nos pátios
das duas maiores madeireiras de Machadinho D'Oeste.
Participam da operação 16 fiscais do
Ibama, 28 agentes da Força Nacional de Segurança e 20
da Polícia Federal.
Segundo a superintendente Nanci Silva, os
municípios fiscalizados têm base econômica
consolidada no setor madeireiro, com alto índice de
ilegalidade: “Os planos de manejo em Machadinho são poucos e
não cobrem todas as 30 madeireiras existentes lá.
Muitas delas trabalham com 50% de madeira legal e 50% ilegal. Varia
um pouco para mais ou para menos, mas é uma média.”
Machadinho D'Oeste está na 32ª
colocação na lista dos 36 municípios que mais
desmataram na Amazônia de agosto a dezembro de 2007, conforme
divulgado em janeiro pelo Ministério do Meio Ambiente. A
previsão do Ibama é que em maio a operação
seja estendida ao município de Nova Mamoré e
posteriormente a Pimenta Bueno, que também integram a lista
ocupando, respectivamente, a 25ª e a 6ª posições.
A primeira cidade a receber a operação
Arco de Fogo foi Tailândia, no Pará, onde em dez dias as
multas aplicadas já ultrapassaram R$ 3 milhões, segundo
o Ibama, com seis madeireiras autuadas, fornos de carvoarias
destruídos, máquinas lacradas e apreendidas.
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