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Brasília - Um dia após um grupo de 30 brasileiros ter ficado retido em Madri (Espanha) e sofrido maus tratos, conforme alguns deles relataram, sete espanhóis foram impedidos de entrar no Brasil e repatriados. Eles foram barrados no aeroporto internacional de Salvador ontem (6) à noite. Segundo a polícia, o motivo foi falta de dinheiro, e não retaliação.
Seis dos sete espanhóis
foram repatriados por não ter condições de se manter no país, um
dos requisitos exigidos pelo Estatuto do Estrangeiro, de acordo com o chefe da Delegacia de Imigração da Polícia
Federal da Bahia, André Costa de Melo. O outro estava com o prazo
de permanência vencido.
“Eles
não demonstraram ter condições financeiras para
permanecer o tempo que pretendiam, as passagens de retorno eram para
15, 20 dias. Uns não tinham dinheiro, outros estavam com o
cartão de crédito internacional vencido, outros não
tinham cartões internacionais. Quem tinha dinheiro tinha em
torno de US$ 100. É impraticável passar 20 dias em
Salvador, ou em qualquer lugar do Brasil, com US$ 100”, explica
Melo.
O delegado garantiu que o procedimento de verificar as condições
do estrangeiro é comum nos aeroportos. “É um
procedimento rotineiro verificar não só o passaporte,
mas fazer uma entrevista com a pessoa para saber onde ela vai ficar
hospedada, qual o prazo que vai ficar aqui, a quantidade de dinheiro
que está trazendo, para ver se ela cumpre os requisitos do
Estatuto do Estrangeiro na condição de turista”,
afirmou.
Segundo ele, a repatriação dos espanhóis um
dia depois do que ocorreu com os brasileiros foi coincidência e não houve
nenhum tipo de ordem para que a fiscalização sobre os
vôos vindos da Espanha fosse reforçada. "Não
é nossa atribuição como Polícia Federal
tomar nenhuma medida de reciprocidade em relação a
países estrangeiros. Isso é uma atitude que compete ao
Ministério das Relações Exteriores. Como polícia
de imigração, temos que cumprir o Estatuto do
Estrangeiro para ver se aquelas pessoas cumprem ou não os
requisitos para entrar no território nacional. E assim foi
feito”.
Ontem, o
Ministério das Relações Exteriores divulgou uma
nota expressando a "inconformidade" do governo com as
medidas tomadas pelas autoridades imigratórias em Madri, e
cogitando usar o "princípio
da reciprocidade".
O grupo de
estrangeiros espanhóis, composto por quatro homens e três
mulheres, chegou por volta das 21h30 a Salvador e retornou na mesma
aeronave, duas horas depois. Segundo Melo, é comum realizar o
procedimento de repatriação, mas a média é
de uma ou duas pessoas por vôo serem mandadas de volta ao país
de origem. Para ele, o fato de sete espanhóis terem sido
barrados no mesmo vôo foi “mera coincidência”.
O delegado explica que o Estatuto do Estrangeiro não estipula um valor
mínimo necessário para que os estrangeiros entrem no
país, mas estabelece que é necessário ter
condições de subsistência no território
nacional. “Isso é subjetivo, então a gente procura
saber qual o tipo de turismo que é, onde vai ficar”. Segundo
Melo, a medida de repatriação não é
definitiva e os espanhóis podem voltar ao Brasil a qualquer
momento, desde que cumpram todos os requisitos.
Os
espanhóis que não puderam entrar no Brasil são:
Alberto Garcia Bayon, Bharat Vinod Nathani Nathani, Francisca Garcia
Huertas, Juan Jesus Ventura Artega, María Perez Fernandez,
Pablo Lafuente Martin e Rebeca Martinez Miranda.
Alterada para substituição do termo "deportados" por "repatriados"
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