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Brasília - A empresa Vale divulgou hoje (8) nota à imprensa em que acusa o
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) de invadir e
depredar nesta manhã uma unidade da Ferro Gusa Carajás
(FGC) em Açailândia, interior do Maranhão.
A Vale classifica a
ação do MST como “de extrema violência” e diz
que os “invasores” danificaram prédios e equipamentos da
fazenda Monte Líbano, dedicada à produção
de carvão vegetal.
“Um empregado da FGC
foi cercado pelos invasores, ameaçado com foices e porretes, e
obrigado a entregar uma máquina fotográfica com
a qual registrava o ataque. O trânsito na rodovia Belém-
Brasília foi interrompido pelos invasores com barreira de
pneus e troncos de árvores, que foram incendiados”, informa a
nota.
A coordenadora do MST
no Maranhão, Simone Silva, afirmou que o protesto na fazenda Monte Líbano fez parte de uma jornada nacional
de luta das mulheres camponesas, mas negou à Agência
Brasil que tenha havido depredação ou ameaças a
funcionários. Segundo o presidente da
FGC, Pedro Gutemberg, ouvido pela Agência Brasil, os
militantes do MST “arrombaram a porteira, quebraram vidraças
do escritório, fizeram pichações e danificaram
materiais de campo”. A ocorrência foi registrada na Delegacia de Açailândia e
a empresa promete pedir a abertura de processo criminal contra os
líderes da mobilização.
Simone Silva informou que
cerca de 1.000 mulheres ocuparam a fazenda em protesto contra os
problemas ocasionados pela fumaça da carvoaria em um
assentamento vizinho, onde residem 200 famílias.
“Por causa da fumaça,
temos crianças com problemas pulmonares e de visão;
idosos com problemas respiratórios e está aumentando o
número de ataques cardíacos no assentamento”, disse a
coordenadora do MST. “À noite a fumaça também
cobre a pista da Belém-Brasília e traz risco de
acidentes”, acrescentou.
Segundo o presidente da
FGC, o incômodo causado pela fumaça gerada na carvoaria
é “esporádico e de baixa intensidade”. Ele
garantiu ter sido feita a instalação de um equipamento
que praticamente elimina a fumaça: “Usaram uma questão
pontual como pretexto para outra agressão à Vale”. A
carvoaria da fazenda Monte Líbano produz 45 mil toneladas por
ano de carvão. 150 pessoas trabalham na operação
de 71 fornos.
O MST quer
providências do governo estadual no sentido de impedir o
funcionamento da carvoaria no local e também alega ter feito
a ocupação da fazenda para protestar contra o milho
transgênico.
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