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Brasília - Nos movimentos sociais,
as mulheres têm conseguido espaços significativos, com
mais representatividade e em pé de igualdade com os homens. A
avaliação é de uma das coordenadoras nacionais
do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Marina dos
Santos.
“Isso se dá
pela demonstração da liderança, da capacidade,
que historicamente as mulheres sempre tiveram”, avalia Marina. Ela
integra o MST há 20 anos, desde quando tinha 14 anos, no
acampamento Idema, oeste do Paraná. Já no início
da sua participação, conta, assumiu tarefas no
acampamento. “Sempre fui muito estudiosa, disciplinada e assim fui
conquistando espaço na militância, na liderança,
nos espaços de coordenação”, diz, em
entrevista à Agência Brasil.
Dentro do
MST, ela exemplifica, a direção é composta
igualmente por homens e mulheres, em mesmo número e “sem um
ser vice do outro”. “O processo que a gente tem hoje de paridade
no movimento é uma grande conquista que o MST teve, a partir
da conquista das mulheres”, avalia.
No movimento de
trabalhadores rurais, por exemplo, a dirigente afirma que as mulheres
têm uma comissão na Via Campesina Internacional para
debater “a garantia da participação das mulheres,
garantir na pauta as políticas públicas que atendam as
necessidades das mulheres rurais como um todo”.
Entre os
pontos debatidos, estão o acesso à educação
pública de qualidade, a serviços de saúde e a
garantia de acesso feminino à divisão dos lucros da
propriedade rural familiar. Entre os desafios, além da
educação, “que elas se incorporem nos cursos de
formação política”, informa a
coordenadora.
Para Marina dos Santos, a representatividade
observada nos movimentos sociais não tem se refletido nos
espaços formais de poder. “Esse avanço dos movimentos
sociais é uma forma que nós temos que avançar
ainda nos espaços institucionais”, afirma.
A
assessora parlamentar do Centro Feminista de Estudos e Assessoria
(Cfemea) Natália Mori endossa essa visão: “A gente
tem uma péssima participação política das
mulheres nos espaços institucionalizados, reconhecidos,
enquanto nos espaços da sociedade civil organizada, dos
movimentos sociais, as mulheres estão muito presentes, esse
tem sido um espaço onde elas têm investido”.
No
dizer de Mori, pelo menos três fatores dificultam a
participação política feminina: valores
culturais, a posição dos partidos e a estrutura do
sistema político. “Ainda é muito oneroso para as
mulheres se candidatar, ou assumir um cargo, pelo sistema patriarcal
que ainda é muito presente na nossa sociedade, que
impossibilita que as mulheres se vejam livres dos afazeres doméstico,
por exemplo”, observa.
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