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Brasília - O aumento da
abrangência das políticas públicas refletiu o
processo de construção da nova estrutura de política
social, iniciado a partir de 1992, para atender direitos previstos
pela Constituição de 1988, como a aposentadoria para os
trabalhadores rurais e as garantias de proteção a
idosos, crianças e portadores de deficiência.
A avaliação foi feita pelo economista
José Aparecido Ribeiro, técnico de Planejamento e
Pesquisa da Diretoria de Estudos Sociais do Instituto de Pesquisa
Econômica Aplicada (Ipea), ao comentar o estudo Gasto Social
e Política Macroeconômica: Trajetórias e Tensões
no Período 1995 a 2005, divulgado neste começo de ano pelo
órgão.
Ribeiro destacou, no entanto, que os avanços
nos gastos sociais federais foram descontínuos ao longo de
tempo, influenciados pela instabilidade econômica no país.
“Os movimentos da política econômica tornam o
crescimento social meio errático. Teve anos que cresceu 9% e
em outros 1%.”
Segundo ele, embora haja uma rede de proteção
legal definindo contribuições específicas para o
financiamento da política social, ela não tem sido
suficiente para proteger a política social plenamente. “Nos
momentos de crise econômica, o gasto social sofre conseqüências
e isso é um problema. No momento que a economia está
indo mal e teoricamente se precisa de mais apoio da rede social é
justamente nesse momento que a rede de proteção social
enfrenta mais dificuldades no seu financiamento”, avaliou.
O economista também ressaltou que, embora
tenha havido crescimento no montante de recursos destinados a todas
as áreas sociais de 95 para 2005, em algumas delas, como a
saúde e a educação, a ampliação
não acompanhou o ritmo de crescimento do país, medido
pelo Produto Interno Bruto (PIB - a soma de bens e serviços produzidos no país).
“Os movimentos são bastante heterogêneos,
algumas áreas crescem outras estão estagnadas ou até
enfrentando quedas proporcionais como é o caso da saúde
e a educação. Isso não é necessariamente
bom ao mau, mas tem que ser avaliado com cuidado”.
No caso da saúde, os investimentos caíram
de 1,79% para 1,59% do PIB, enquanto na educação queda
foi de 0,95% para 0,77%. Outra área com redução
no aporte de recursos foi a de benefícios pagos
a servidores públicos federais (incluindo aposentadorias,
atendimento de saúde e vales alimentação de
civis e militares) cujo percentual saiu de 2,5% para 2,3% do PIB.
Ainda assim, os gastos com servidores ocupam o segundo lugar em
investimentos do governo federal, superando áreas como
educação e saúde.
Em 2005, as área sociais que receberam mais
recursos do governo federal, em relação ao PIB, foram a
de Previdência (7,00%), seguida por benefícios à
servidores públicos (2,29%), saúde (1,59%), assistência
social (0,83%), educação (0,77%) e emprego e defesa do
trabalhador (0,59%).
Embora tenha havido troca de posições
ao longo do tempo entre elas, as seis áreas foram mantidas
como foco principal dos gastos sociais, concentrando 95% dos recursos
disponibilizados no período considerado no estudo que abrangeu
as duas gestões de Fernando Henrique Cardoso (1995 a 2002) e
os três primeiros anos do governo do presidente Lula (2003 a
2005). A Agência Brasil procurou os Ministérios da Educação e da Saúde
para comentar os dados do estudo, mas foi informada de que eles não
iriam se pronunciar sobre o assunto.
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