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Brasília - O presidente da Comissão de
Relações Exteriores da Câmara dos Deputados,
Marcondes Gadelha (PSB-PB), afirmou hoje (11), depois de visita ao
embaixador da Espanha no Brasil, Ricardo Peidró, que a crise
gerada pelo repatriamento de brasileiros impedidos de entrar naquele
país não deverá se estender. “No que depender
da Espanha, a crise será limitada e não vai progredir”,
disse Gadelha.
“O essencial desta reunião
foi procurar estabelecer os limites dessa crise: Até que ponto
é apenas um episódio, um soluço nas relações
do Brasil com a Espanha, que sempre foram extremamente cordiais. Da
parte da Espanha, o propósito é reduzir as tensões,
atenuar esse relacionamento e evitar que a crise tome outras
proporções, e sobretudo que ela [crise] saia
desse campo diplomático e venha a chegar a tensões no
relacionamento econômico e financeiro dos dois países.”
Segundo o deputado, o embaixador
Ricardo Peidró teria relacionado o alto número de
brasileiros repatriados na Espanha pelo período de férias
escolares e à intensa procura pelo mercado de trabalho no
país.
Gadelha ressaltou, entretanto, que o
problema da imigração não está restrito à
Espanha. Segundo ele, a questão mais delicada a ser abordada
pela comissão na reunião de amanhã (12) é
como agir em relação à União Européia
(UE).
“É uma política de
Estado da Comunidade Européia. Como a Espanha é a porta
de entrada principal dos africanos, dos latinos, sobretudo vindos da
América do Sul, como brasileiros, paraguaios e bolivianos. A
Comunidade Européia resolveu focar em cima da Espanha e exigir
mais rigor, um tratamento mais duro. Se um terceiro país
quiser evitar o ingresso de uma pessoa na Comunidade Européia,
ele pode barrar através da Espanha.”
O deputado classifica a temática
das imigrações no continente europeu como “o problema
político mais importante da atualidade” e lembra que, além
da Espanha, países como França e Inglaterra mantêm
restrições fortes em relação aos
visitantes sul-americanos.
“O que nos parece é que há
uma política global da Europa contra as imigrações.
O dado curioso é que eles precisam dos imigrantes. O próprio
embaixador disse que o crescimento econômico recente da Espanha
não teria acontecido se não fosse a participação
dos imigrantes. É uma relação ambivalente de
amor e ódio. Eles precisam dos imigrantes e ao mesmo tempo
rechaçam os imigrantes.”
A comissão deverá
ouvir amanhã (12) o ministro das Relações
Exteriores, Celso Amorim, e a estudante de pós-graduação
da Universidade de São Paulo (USP) Patrícia Magalhães,
uma das brasileiras impedidas de entrar na Espanha em fevereiro deste
ano. Patrícia iria participar de um congresso de física
em Lisboa, mas foi detida no aeroporto de Madri, porque, segundo
autoridades espanholas, não cumpria os requisitos mínimos
para entrada no país.
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