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Brasília - O procurador Marinus
Marsico, do Ministério Público no Tribunal de Contas da
União (TCU), disse hoje (11) que a Universidade de Brasília
(UnB), juntamente com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG),
são as campeãs de ilegalidades na aplicação
de recursos de suas fundações.
“Na Universidade
de Brasília há, porém, algo muito mais grave que
o desvio de R$ 400 mil para decorar o apartamento do reitor. São
milhares de pessoas de Brasília que morrem todo ano de câncer
por não ter um lugar decente para se tratar”, afirmou.
De acordo com ele, a
Fundação Universitária de Brasília
(Fubra) gastou R$ 2,5 milhões na construção do
Centro de Tratamento de Câncer da Universidade de Brasília
inutilmente. “A UnB deveria construir. A Fubra se incumbiu da
tarefa, e o fez sem licitação, naturalmente, o que não
poderia ter feito. A empresa encarregada largou a obra, aí a
Fubra resolveu fazer por conta própria e gastou tanto dinheiro
quanto já tinha gasto com a empresa e o esqueleto está
lá”, denunciou.
Segundo Marsico, serão necessários
mais R$ 2 milhões para a conclusão da obra. A esses
recursos suplementares, segundo o procurador, devem ser ainda
acrescentados o valor de equipamentos já destinados ao
hospital, que estão encaixotados há vários anos
e provavelmente deverão ser substituídos.
O
procurador afirmou que não tem notícias de nenhuma
fundação de apoio às universidade que tenha
cumprido com as determinações da lei. “As
universidades e as suas fundações cumprem somente o que
a elas interessa, o principal mesmo, seguir as obrigatoriedades do
regime público, não extrapolar o teto de remuneração,
ou não criar subterfúgio para complementação
de salário, não é cumprido”, denunciou.
De
acordo com Marsico, a relação equivocada entre
universidades públicas e as fundações é
tão profunda que as primeiras dependem muito mais das
segundas. “Como o próprio nome diz, as fundações
deveriam ser de apoio, somente”.
O procurador afirmou
que no decorrer dos anos as fundações se tornaram um
maneira que as universidades se utilizaram para fugir das amarras
legais que o sistema público impõe. “Essas fundações
foram criadas justamente como um meio de burlar a lei, de escapar das
licitações. Ou seja, a universidade não faz a
licitação e manda a fundação de apoio
fazer determinado serviço. O professor está ganhando
pouco, então começa a dar alguns cursos, começa
a ser contratado por uma fundação de apoio”, afirmou.
Por isso, de acordo com
ele, ao longo dos anos as universidades se tornaram completamente
dependentes das fundações de apoio. “Ou as
universidades acabam com as fundações de apoio ou as
fundações de apoio vão acabar com as
universidades”, sentenciou.
A assessoria de comunicação da UFMG informou que as contas da instituição até 2005 foram todas aprovadas pelo Tribunal de Contas da União. As de 2006 estão em análise e as de 2007 ainda serão enviadas ao tribunal.
* Atualizada às 18h58 para acrescentar informações.
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