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Brasília - O
embaixador da Espanha no Brasil, Ricardo Peidró, reconhece que
as eleições espanholas – concluídas no último
sábado (8) – podem ter exercido “forte influência”
nos episódios de inadmissão e repatriação
de brasileiros durtante a última semana. A informação
foi dada hoje (11) pelo deputado Mendes Thame (PSDB-SP), após
visita à Embaixada da Espanha, em Brasília.
“A oposição
espanhola estava usando muito essa questão da imigração,
e o partido vencedor das eleições [Partido
Socialista Obrero Español, PSOE] também aceitou
essa disputa. Precisava mostrar uma disposição, um
serviço nessa direção”, disse Mendes Thame. O
deputado considera, entretanto, “inaceitáveis” os
maus-tratos e a subjetividade a que os brasileiros repatriados
relatam ter sido submetidos.
“São deportadas pessoas que
estão em trânsito, que não estão nem
pretendendo entrar na Espanha. Ela [Espanha] está
fazendo o papel de um agente da Comunidade Européia. Temos que
saber quais são essas regras. Há uma boa intenção
[do embaixador] no sentido de restringir essa crise a um fato
pontua,l mas sem objetividade, sem contornos nítidos, e
corremos o risco de que essa fato pode vir a se repetir no futuro.”
O presidente da Comissão de
Relações Exteriores da Câmara dos Deputados,
Marcondes Gadelha (PSB-PB), que também participou da visita ao
embaixador, garantiu que o pedido de “aperfeiçoamento do
aparelho consular brasileiro” será uma das reivindicações
do grupo ao governo.
Gadelha lembrou que, durante a
visita de hoje, o embaixador chegou a comentar que muitos dos
brasileiros repatriados na última semana já haviam sido
expulsos da Espanha anteriormente e que em seus passaportes já
constava o carimbo de estrangeiro com ingresso negado no país.
“Isso é uma coisa que ele
ficou de comprovar. A gente tem que saber quem está usando
quem. Se a Comunidade Européia está usando a Espanha,
ou se a Espanha é quem está usando a Comunidade
Européia como desculpa.”
Para o deputado Ivan Valente
(P-SOL-SP), que também foi ao encontro com o embaixador
espanhol, o preconceito e a maneira como foram realizadas as
“detenções” e os repatriamentos dos 30 brasileiros
em Madri estão “carregados de subjetividade”.
“Pode não ser a questão
central, mas é uma questão que tem potencial explosivo,
porque foi isso que detonou o processo todo. Os critérios não
estão no papel."
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