Empresários da Indonésia estão
interessados em importar produtos agrícolas e carne bovina do
Brasil. Uma comitiva integrada por representantes do governo e empresários do país asiático reuniu-se hoje (11) com o
ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, para
iniciar conversações que levem a futuros acordos
comerciais.
O ministro da Agricultura da Indonésia,
Anton Apriyantono, informou que seu país importa, atualmente,
60% da soja que consome, o que representa cerca de 1,2 milhão
de toneladas. Além disso, são 400 mil toneladas de bois
vivos e 50 mil toneladas de carne in natura importadas. Apriyantono afirmou
que, como o país tem uma economia de mercado aberta, os
empresários brasileiros, cumprindo as exigências,
poderão entrar na concorrência e passar a exportar para
lá.
“Gostaríamos de verificar as condições
sanitárias com nossos técnicos, não só no
Brasil, mas em vários países. E também se o
método de abate é Halal ou não”, afirmou o
ministro indonésio. O Halal (palavra
árabe que significa “permitido”) é o método que adota os preceitos da religião mulçumana,
seguida por 80% dos 217 milhões de habitantes da Indonésia.
O Halal tem
algumas exigências específicas, como o abate do animal
em separado de outros, a degola e o direcionamento da face do animal
para Meca. Stephanes garantiu que isso não é problema
para o Brasil, que já aplica o sistema em vários de
seus frigoríficos. “Nós já temos várias
plantas [de frigoríficos] aprovadas, porque já
exportamos para vários países muçulmanos”,
afirmou.
Em relação
às questões sanitárias, Stephanes destacou que o Brasil não tem o problema da doença
da vaca louca, grande temor para os asiáticos. E que a missão
européia que visita o Brasil para tratar da análise de
resíduos e contaminantes dos produtos brasileiros antecipou
seu retorno por encontrar os trabalhos laboratoriais todos em ordem.
Além disso, está
sendo estabelecido um cronograma de ampliação de novas
propriedades aptas a fornecer carne bovina à União
Européia. “Esperamos que até o final do ano se
restabeleça integralmente o fluxo de exportação
que tínhamos antes. E está dependendo mais do Brasil em
apresentar novas propriedades”, completou o ministro.
Stephanes disse ainda que o início dos acordos comerciais com a Indonésia depende
agora dos entendimentos entre empresários dos dois países, mas vários negócios deverão ser
fechados ao longo do ano. Ele explicou que há uma certa urgência,
por parte da Indonésia, nas negociações, devido
à grande demanda por importações
de produtos agropecuários. E informou que os
indonésios estão interessados no intercâmbio de
informações sobre a
tecnologia do biodiesel.
Sobre a exportação de produtos agrícolas neste ano, o ministro disse esperar crescimento de 10% a 15%, equivalente à taxa dos últimos
anos.
Segundo a assessoria do
Ministério da Agricultura, a vinda da comitiva estava prevista
inicialmente para abril, mas em razão da dificuldade de
abastecimento e da elevação dos preços dos
produtos na Indonésia, foi antecipada a pedido do presidente
Susilo Bambang Yudhoyono.