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12 de Março de 2008 - 16h44 - Última modificação em 12 de Março de 2008 - 17h43


Barragem de Tijuco Alto vai prejudicar populações tradicionais, diz manifestante

Flávia Albuquerque
Repórter da Agência Brasil

 
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São Paulo - A construção da Usina Hidrelétrica de Tijuco Alto, no Vale do Ribeira, em São Paulo, deve gerar um grande malefício a toda a população que vive na área, afirmou um dos organizadores da manifestação realizada hoje (12) em frente ao prédio do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) na capital paulista, Cleber Rocha Chiquinho. Ele integra também o Coletivo Educador do Lagamar, grupo que faz parte da Campanha em Defesa do Rio Ribeira.

Segundo ele, a manifestação tinha o objetivo de mostrar a indignação da população daquela região por causa de parecer do Ibama que apontou a construção da usina como viável ambientalmente. Eles também protestam pelo fato de a hidrelétrica ter como principal objetivo a produção de energia para a Companhia Brasileira de Alumínio (CBA).

“O Ibama deu um parecer favorável e nós viemos questionar esse parecer, reivindicar uma outra posição porque estamos sofrendo muito por causa disso. O malefício ocorrerá em todas as áreas, desde a social, ambiental, cultural, porque vai tirar populações tradicionais ribeirinhas e quilombolas de suas áreas.”

Chiquinho reforçou que além do impacto ambiental causado pela inundação de cavernas, o impacto cultural será grande, já que pessoas que nasceram na região, vivem lá  e têm sua história ligada à terra, terão de deixar a área para morar em outros locais.

“Nós estudamos a história de outras barragens que foram construídas e as populações que saíram dessas áreas estão em péssimas condições hoje.”

Entre as reivindicações dos manifestantes está a realização de uma audiência pública em Cananéia, que segundo Chiquinho foi solicitada ao Ibama e não foi realizada, e a análise tanto do Plano de Desenvolvimento Regional e da Agenda 21 do Vale do Ribeira firmados pelos 32 municípios que compõem a região.

“Dessa forma participativa a população disse que não é a favor da construção da barragem. Nós temos esse documento e ele não foi levado em consideração pelo Ibama ao dar o parecer.”

Chiquinho ressaltou ainda que a própria CBA admitiu em uma de suas apresentações que a energia gerada na hidrelétrica seria de uso exclusivo da indústria de alumínio.

“Isso é utilizar o rio, que é um patrimônio da humanidade, para gerar lucro para uma única empresa, um único empresário.”

De acordo com ele, o projeto inicial contempla a construção de quatro barragens e o principal temor é que, com a permissão da primeira, as outras três sejam necessárias para o desenvolvimento da CBA.

Hoje (12), integrantes de movimentos sociais também se reuniram com o Ibama em Brasília, de onde, segundo a assessoria de imprensa do órgão, sairá a decisão final.

A assessoria de imprensa do Ibama informou ainda que o parecer liberado indica que há viabilidade ambiental para construir a usina naquela área, mas que a licença final será dada depois da avaliação do Instituto Chico Mendes, que analisará a possibilidade ou não de inundar algumas cavernas da região. Além disso, a Agência Nacional das Águas também deve dar permissão para que a usina utilize a água para geração de energia.

 


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