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Brasília - O diretor do
Departamento Consular e de Brasileiros no Exterior do Ministério
das Relações Exteriores, Eduardo Gradilone, admitiu
hoje (12) que as autoridades brasileiras sabiam, desde 2006, que os
países integrantes da União Européia iriam
endurecer as regras para entrada de estrangeiros em seu território.
"Sabíamos
que a aplicação de critérios mais rigorosos que
tratam de estrangeiros na Europa poderia acarretar tratamentos
injustos a inocentes que, talvez, não tivessem todos os
requisitos [para entrada nos países da União
Européia]", disse Gradilone, em entrevista coletiva,
depois de participar de audiência pública da Comissão
de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados
sobre a situação de brasileiros repatriados pela
Espanha.
Segundo Gradilone, o ministério desenvolveu
um sistema de cruzamento de informações para saber o
número de brasileiros repatriados e está acompanhando
com preocupação o aumento do número de casos.
"A alegação de todos os países,
inclusive da Espanha, é de que o número de brasileiros
barrados não é significativo em relação a
outros países. No caso da Espanha, 3 mil brasileiros
repatriados significa entre 1% e 2% do número total",
explicou o diplomata.
Na opinião do deputado Ivan Valente
(P-SOL-SP), um dos autores do pedido de audiência pública,
o ministério não estava preparado para lidar com
a situação: "Acho que faltou preparo, faltou
retaguarda, e também acho que vai haver um recrudescimento -
isso já está acontecendo na França, com governos
conservadores, e a disputa eleitoral espanhola mostrou isso."
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