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Brasília - Os convênios,
cooperações e medidas legais que alteram o
funcionamento de políticas públicas na área da
assistência social, especialmente o Programa Bolsa Família,
anunciados hoje (12) pelo governo federal, são desdobramentos
para dar autonomia às famílias mais pobres. A avaliação
é do Ministro do Desenvolvimento Social e Combate à
Fome (MDS), Patrus Ananias.
“As políticas emancipatórias, para
ampliarmos as possibilidades de capacitação
profissional, de alfabetização e de inclusão
produtiva, desdobram o programa [Bolsa Família] e possibilitam
que as famílias possam ir gradativamente ganhando sua
autonomia”, disse o ministro. Segundo ele, a idéia é
estabelecer no Brasil “políticas públicas permanentes
para a promoção, proteção e emancipação
das pessoas, famílias e comunidades mais pobres “.
As iniciativas, anunciadas hoje (12) na solenidade
de comemoração dos quatro anos de criação
do MDS, incluem cinco acordos de cooperação envolvendo
outros sete ministérios (Saúde, Defesa, Educação,
Meio Ambiente, Trabalho e Emprego, Minas e Energia e Desenvolvimento
Agrário) e as secretarias de Direitos Humanos e de Promoção
de Políticas para as Mulheres,ambas ligadas à
Presidência da República. O presidente Lula participou
do evento.
Cooperações também foram
firmadas com o Fundo das Nações Unidas para a Infância
(Unicef), com o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e
Social (BNDES), Caixa Federal, Banco Popular do Brasil e Banco do
Nordeste.
A parceria com a Caixa Federal vai permitir que os
beneficiários do Bolsa Família tenham contas bancárias
abertas automaticamente e sem custos, com possibilidade de acessar, a
médio prazo, linhas de microcrédito. As contas serão
abertas a partir do segundo semestre deste ano. Para os cerca de 3,5
milhões de beneficiários que já são
correntistas do banco, o dinheiro entrará na conta a partir
próximo mês.
Entre outros documentos, o presidente Lula assinou
o decreto que estabelece o prazo de dois anos para revisão
obrigatória dos benefícios pagos pelo Bolsa Família.
Para o ministro Patrus Ananias, além de dar mais segurança
às famílias, a atualização dos benefícios
a cada dois anos será uma forma de aperfeiçoar os
mecanismos de fiscalização do programa.
“É muito oneroso para o Ministério
acompanhar as oscilações de renda das famílias
pobres e elas também ficam muito inseguras porque, estando na
pobreza, conseguem um trabalho e ficam com medo de perder o benefício
e também não se consolidarem naquele trabalho. Então,
dois anos é um prazo maior para averiguar se as famílias
saíram da linha da pobreza estabelecida pela lei que criou o
Bolsa Família e possibilita ao ministério ter um maior
controle e avaliação com um prazo determinado”,
afirmou o ministro.
A manicure Marinês de Oliveira, 44 anos,
moradora de Sobradinho (DF), que tem cinco filhos e recebe R$ 120 por
mês do programa há cerca de quatro anos, aprovou as
alterações no Bolsa Família e a promessa de
ações para emancipar as famílias por meio de
qualificação profissional e oportunidades para geração
de renda própria. “Esse projeto não é para
sempre. Na hora que a gente for desligado tem que ter um trabalho.
Não é só esperar pelo governo. A gente tem que
se mexer, agir em alguma coisa. Tem que ter um trabalho porque um dia
acaba (o benefício)”.
Para ela, que nunca teve conta corrente, a
possibilidade dos beneficiários virem a contar com empréstimos
bancários significa uma chande de melhorar suas vidas. “É
bom porque a gente pode empenhar um dinheiro para alguma coisa que dê
renda: abrir uma mercearia mesmo com pouca coisa, por exemplo, já
dá para lucrar e não precisa ficar pedindo favor”,
disse ela.
Sem o Bolsa Família, a renda mensal da
manicure, junto com a do marido que faz pequenos serviços de
eletrônica em casa, gira em torno de R$ 200,00.
Durante o evento, o presidente Lula também
assinou mensagem que encaminha ao Congresso Nacional projeto de lei
alterando as regras para isenção de tributos à
entidades filantrópicas.
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